12/11/2011

Arsenal Vil, sangrando intensidade.


"Não vou dizer obrigado se você me quiser"

"E mais uma noite escura, cigarro na mão, tomando uma dose pura de obrigação"

"Eu vou te jogar no fogo do inferno"


É isso. Arsenal Vil não veio pintar o amor perfeito para as damas e para as Damas da Rua. Não dizem que tudo é lindo e a noite terá um amanhecer de romance. 

Desconstrução, vieram para quebrar os pensamentos de ilusão e exaltar o prazer, que guarda em seu intimo um quê de melancolismo e rebeldia. Um mar de hedonismo e sacanagem, que acontecem quando papai e mamãe se trancam no quarto.

Acompanhei algumas apresentações desde o ínicio e fiquei surpresa com a evolução deles, o que culminou nas músicas que estão no MySpace

Não sou nenhuma espécie de critica musical para dizer que "Arsenal, banda de Belém, bebe na fonte do blues e tem um quê de pós modernidade e blá blá blá". Esqueçam todos esses textos chatos que tentem definir a risca uma banda, tentarei definir o meu sentimento, espero que você ache o seu depois de ouvir. 

No caso desses meninos a evolução a que me refiro é a confiança. Talento sempre tiveram, mas das últimas apresentações que vi pude perceber que o palco parece natural para eles, que interagem com o público como se estivessem tomando umas cervejas juntos, cada um com estilo próprio. Cada música, e principalmente tocada ao vivo, tem gosto de gozo, e dos bons.


"E os ratos no esgoto sagrando fumaça", interessante como a Arsenal consegue falar sobre a podridão das grandes cidades, levando os ouvintes para uma aventura imaginativa, onde um casal apaixonado percorre a cidade. Esse romance se dá n'um mundo real, onde as ruas são sujas, onde o sexo acontece. Quebrando a ideia de que o homem que ama verdadeiramente não pode pensar na sua amada como objeto sexual no contexto certo. 

E é no contexto certo que eles conseguem falar da sexualidade, sem agredir o mundo feminino, mas sem as frescuras que se esperam no falar de amor. A voz rouca do vocalista, o baixo que chega devagar e manso, a guitarra que te leva a fazer guitarra imaginária e uma bateria louca, que parece estar prestes a quebrar os pratos.


Dias desses li no facebook alguém falando que não entendia como poderiam haver bandas de blues cantando em português, fiquei uns minutos refletindo sobre isso, e percebi que é uma bobagem pensar assim. Somos brasileiros, antes de aprender e cantar qualquer outro idioma que seja, temos que perceber a real face do português, complexo, rico, variado e com uma sonoridade que, faz favor, é muito linda. 

Não sou contra bandas que criam em inglês, mas sou contra quem diz que rock não pode ser feito em português. Se a Arsenal Vil canta Blues Rock em português algumas pessoas entortam o biquinho, mas se o Iggy Pop grava Insensatez em inglês todo mundo lambe a cara dele né? (risos)

Falando em lamber, esse ar sujo da banda é de conquistar totalmente. Quero dançar, gritar, aprender a dirigir, entornar todas e amar muito a cada vez que ouço esses danados. Em Tua Mágoa eles dizem "Desprezo tuas velhas paixões, tua mágoa me fez crescer", é um chute no que te faz mal. O que quero chutar agora é o fato de saber que as pessoas ainda não conhecem Arsenal Vil, mas aposto que vão amar.

14 comentários:

  1. A definição sem tirar nem por do que o Arsenal é, e essa definição não poderia ser feita de forma mais linda do que por Nique Malcher (L)


    Gostei a beça disso, como gosto de tudo que cê escreve.

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  2. Muito obrigada, o crédito é todo deles, que fazem uma música muito inspiradora :)

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  3. Gostei muito do texto. A liberdade na descrição que deste, fora das amarras de críticas, me fez sentir como se estivesse perto de ti te escutando falar. O Arsenal Vil tem disponível as letras das músicas?
    Beijos.

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  4. Pelo que sei eles ainda não tem disponível letras, mas o som do myspace já é de estúdio e dá pra entender as letras direitinho. Obrigada pelo elogio :)

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  5. A Nique sempre esta em todos os show e realmente acompanha as fases da banda! É otimo poder ver teu texto falando tao bem do Arsenal Vil!! Fico muito feliz!!

    Grande abraço!

    Caio.

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  6. delícia de matéria sobre uma delícia de banda!!!

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  7. com toda a certeza Nique, adorei o blog!! beijinhos

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  8. "e uma bateria louca, que parece estar prestes a quebrar os pratos." - Hahaha vou me controlar mais, prometo.

    Gostei da resenha, tá bem informal, mas de uma forma que dá confiança e estimula a conhecer a banda.

    Quanto às letras, algumas já estão disponíveis no Vagalume.

    Zé Pedro, baterista.

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  9. pode quebrar, é isso que queremos! Obrigada pela dica das letras :)

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  10. Adnaldo Produtor G. Silva1 de dezembro de 2011 04:54

    Egoa podicre esa banda soh os roqui d doido kkk brinkadera adimiro mt eles porem nao tocaro no se rasgo mas como disia o casusa 'a juvetude eh a lata do refrijerante'

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  11. Banda muito boa, pena que as músicas gravadas não tenham refletido 100% a efervescência dos shows, mas por ser a primeira, acredito que seja perdoavel.. Tomara que encontrem o caminho deles!

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