16/11/2011

As mulheres por Bob Menezes

Com seus olhos e lentes mágicas, com suas máquinas que metralham arte, os fotógrafos captam momentos e transformam em arte, realidade peneirada, revelada. Um deles é Bob Menezes, que de calado e tímido não tem nada.


O primeiro contato com Bob foi no Twitter, trocamos alguns “replies” e algum tempo depois, questão de meses, marquei conhecer o ateliê do artista, que fica bem próximo ao Bosque Rodrigues Alves. 

Uma mulher jovem e com um sorriso bonito abriu a porta para mim, o ateliê fica em cima de uma loja de motos, o que no fundo até combina com ele, já que tem um jeito de aventureiro.

Roberto Menezes, o Bob, nasceu em 59, desde criança ama fotografia, folheava os álbuns de família decorados pela avó e brincava com centenas de cromos feitos pelo pai, amante da fotografia. Filho de peixe...

Ela então me disse para subir, que ele ia me receber, depois o próprio me disse que aquela mulher era sua irmã e que diferente dele tinha uma grande preocupação com o peso, por isso era tão bonita. 

Sem pestanejar me perguntou se eu aceitava comer alguma coisa, debochando da beleza dos magros. O que nos levou a uma conversa sobre os padrões de beleza que aprisionam as mulheres. “Já percebeu que as mulheres estão cada vez mais magras? Às vezes fotografo modelos e fico preocupado se elas estão bem”, disse em tom de brincadeira.

O fotógrafo conquistou o Prêmio destaque no Arte Pará 2001, o Prêmio Especial Graça Landeira 2004, participou de três Mostras Primeiros Passos CCBEU, do Salão Pequenos Formatos da Galeria de Arte Unama, de exposições coletivas no Rio de Janeiro e em Belém na Sala Vip Aeroporto Val de Cães, no Espaço Cultural Unama, na Galeria de Arte Fidanza, no Espaço Cultural BASA e na Galeria Theodoro Braga.

Desde a adolescência sempre foi encantado com o mundo feminino, não demorou muito e começou a fotografar mulheres, as amigas, as amigas das amigas, e por aí foi e não parou mais. Na tentativa de reunir todas elas que Bob Menezes fez o seu primeiro livro intitulado “Por toda minha vida”, que poderia ser completado assim: Por toda minha vida fotografando o mundo feminino, já que o livro é a reunião de diversas mulheres em preto e branco, que de tão expressivas parecem que a qualquer momento podem pular das páginas.

Bob dá uma limpada no cinzeiro cheio de restos de cigarro e continua falando sobre as mulheres, de como gosta de fotografar mulheres diferentes, com cabelos naturais, com olhares expressivos. Para ele a fotografia de moda por exemplo deveria ser em preto e branco, para ressaltar as roupas, a expressão, pois a cor distrai.

A fotografia desse artista vai contra a maré do metodismo, não tem a pretensão de aprisionar momentos, mas de recriar o real, transformar realidade em imaginação, em arte sem purismos e intelectualidades. 

Ele capta cada mulher de um jeito único, ressaltando a beleza da alma, diferente de alguns artistas que querem a todo custo embelezar os objetos de sua arte, forçadamente.


Bob já fotografou pedreiras, cantoras, crianças, modelos, donas de casa, se aventurou fotografando mulheres em suas casas, em lugares estranhos, nuas, vestidas, em horários nada convencionais, tudo pela beleza feminina, tudo pela arte.

Depois de horas de conversa, descendo as escadas percebia que a expressão “Não veja a vida em preto e branco”, poderia seriamente estar um pouco ultrapassada. Talvez Bob beba da máxima de Tarso de Castro, que dizia que se inventaram coisa melhor que a mulher ele não quer nem saber, a não ser é claro, pela fotografia, mas no caso de Bob Menezes, ele junta as duas coisas.

2 comentários:

  1. O Bob é um ótimo profissional e acho que tenho sorte de conhecê-lo =)

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