30/11/2011

Crisantempo, colocando a imaginação para funcionar.

"O arco-íris toca o chão enquanto um pássaro pousa em minhas mãos. De cabeça pra baixo os meus braços enquanto descalços se entortam"

Tava muito calor, e como sempre corro para a Cairu do shopping para amenizar a quentura. Quando já ia embora encontrei com meu amigo Igor Gurjão, que me falou que ia ter uma banda na Saraiva.

É como dizem: "Tô aqui mesmo..."

Sentei naquelas cadeiras do fundo do espaço Benedito Nunes e aí começou o amor entre eu e a Crisantempo.



Fazia tempo que não ouvia algo que me lembrasse parte de mim que pensei nem existir mais. Acho que senti o mesmo quando ouvi "O seu amor" ou "Quando" dos Doces Bárbaros.

E foi assim na cara lavada que a Crisantempo me conquistou.

Tem banda que não faz só música, faz trilha sonora. Sinto essa atmosfera vinda desses meninos. Como se eles narrassem os sonhos que tiveram durante a noite para quem os ouve.

Fui me sentindo totalmente relaxada, escorrendo pela cadeira, me sentindo em casa. Eu fiquei feliz pelo acaso. Podia ser a tal da lei de murphy ou qualquer desculpa fantasmagórica, mas eu estava ali, ouvindo um som diferente e sabia que não era qualquer coisa. Sabe quando você sente que aquilo tem potencial? Não foi um palpite, nem cartomancia (risos), na verdade foi uma observação real.

Nas Seletivas do Serasgum foi muito bom ver a Crisantempo de perto outra vez, li algumas criticas que diziam que a banda tava abaixo da média das bandas de rock, discordo. Ouço as pessoas querendo comparar a Crisantempo com a Vinil Laranja, ou com a Paris Rock. Tais comparações são totalmente desnecessárias, cada banda tem uma proposta e um "rock" diferente. Lembremos que o rock é um estilo musical com muitas vertentes.

A mixagem e masterização do álbum "Faz de Conta que é de Papel" foi de Ulysses Moreira. Apesar de ainda não ter sido lançado, já dá pra ouvir várias músicas deles no soundcloud.

Percebo na música da Crisantempo uma vontade de rememorar coisas esquecidas, como redescobrir a natureza em meio a paisagem urbana e a infância que ainda percebe o mundo a sua volta. A reflexão sobre o lúdico. Estamos tão distantes disso ultimamente, consumindo músicas que não nos dizem nada sobre o que acontece quando a mente se deixa levar.

A música deles consegue falar sobre aquelas imagens malucas que temos quando sonhamos ou quando colocamos a cabeça para fora do ônibus na Almirante Barroso (cuidado, não façam isso sempre).

Se de primeira as letras parecem desconexas, ouça novamente e vai perceber que elas tem muito mais a falar do que ser uma pretensão de soar diferente.

"Ao contrário está e é relativo o tempo. Mas esquerda e direita é só uma concepção como Diabo e Deus"

Isso me lembra as conversas interminavéis que eu tinha com meu avô, quando ficavamos horas falando sobre o mundo que está sempre dividido entre uma coisa e outra. E que mais dificil o mundo é para os que não sabem que caminho seguir.

Crisantempo tranquilamente entrou no meu mp3 nos dias de quinta e sexta, quando geralmente coloco titia Rita Lee, Lô Borges (por quem me apaixonei tardiamente) e Arnaldo e a Patrulha do Espaço.

"A árvore que plantou a raiz no céu" soa pra mim como uma mensagem de arriscar, de fincar bases no abstrato como caras que nem o Hélio Oiticica ou o Gentileza fizeram. E essa fórmula apesar de sofrida deu certo, mesmo não sendo artes entendidas assim de cara.

Não tente entender, sinta primeiro, ouça e ouça de novo, isso sim ultrapassa qualquer entendimento.

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