29/11/2011

Depressão musical e vital da terça.

Meu pai é um cara não muito chegado a cinema, gosta muito de bolero e trabalhou muito tempo como jornalista em uma revista super chata, que só falava de empresas, negócios e eventos de caras cheios do dinheiro.

Ele não gosta muito de filmes cults, mas adorou “Cinema Paradiso” do Bertolucci e sempre ri quando vê “O Auto da Compadecida” naquelas sessões da tarde da Globo. Suspeito que meu pai é um cara (bem) legal. Com ele aprendi como barganhar, confiar e principalmente a sonhar com aquelas coisas que todo mundo descarta. 



Diferente do meu pai, a maioria das pessoas ficaram muito chatas, é o processo infeliz de transformação (errada) das coisas boas. Ninguém tem mais paciência para música e ler virou obrigação. Agora inventaram um programa no computador que lê o livro por você, talvez as pessoas queiram voltar ao tempo de criança, que ouviam histórias dos pais e avôs. Quer saber, acho um aborrecimento, e dos grandes, ter que ouvir histórias de uma máquina.

Minha preocupação só aumenta quando penso que escrevo menos com uma caneta ou um lápis no dia a dia. Muita gente, até eu mesma, quer se convencer que tudo bem, isso de escrever mais no computador e no celular é coisa natural da evolução tecnologica. Tenho medo.

Um tipo de medo talvez absurdo de me deparar a próxima vez com uma caneta e simplesmente não sentir mais intimidade alguma com ela. E se eu não conseguir mais escrever meu nome nas areias feias de Cotijuba?

Quando fiz vestibular tinha um medo danado que na redação me pedissem para escrever uma carta, porque em toda minha vida escolar ninguém me ensinou a escrever uma. Aprendi da pior maneira possivél, pela necessidade de dizer que gostava de um garoto, e não seria uma boa ideia falar pessoalmente.

Mandava uma carta pra ele de dois em dois dias, acreditava que o amava desesperadamente, mas a verdade sobre as cartas que escrevia é que não tinham nada a ver com amor. Eu amava mesmo aquele clima de mistério que envolvia escrever, colocar no envelope, pedir para alguém entregar e saber que não haveria uma resposta, pelo menos não em forma de carta ou muito menos feliz. Eu precisava personificar o amor em alguém, afinal eu tinha que ter alguém para ler as cartas (risos).

Hoje as crianças apredem a escrever e-mails sem nunca terem escrito uma carta. Será que estou falando como alguém de uma geração atrasada e desinteressante? Bem que podiamos ser mais espertos e não excluir as coisas boas. Não precisamos odiar o e-mail (eu adoro), mas sinto uma falta tremenda de receber cartas, tanto que tenho todas que ganhava bem guardadas. Todas são de pessoas que saíram da minha vida, o que torna esse chororô mais triste ainda.

Não é fácil resgatar quem se era, ou a parte boa do que já se perdeu no espaço de si mesmo, e fazer disso um mantra permanente.

O mesmo sol brilha para todos, mesmo que tenhámos visões diferentes dele ou que na realidade ele não seja nada do que pensamos que é. Não é tarde para pegar um táxi para o passado que não abandone o presente e nem recuse o futuro.é hora de ouvir músicas do passado, só pra variar o coração.


7 comentários:

  1. Adnaldo Produtor G. Silva29 de novembro de 2011 22:10

    Minia amiga lhe adimiru mt? abs flw glw tlw plw klw

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  2. Alfabetização escrevendo cartas de amor escritas na areia da praia

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  3. em tempos de QWERT importante é alfabetizar escrevendo cartas de amor na areia da praia

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