17/11/2011

Mákina, é hora de refletir.

"Somos uma banda feia de rapazes sem talento", feia eu não sei, mas sem talento discordo, Mákina tem talento de sobra.

Uma bateria em forma de metralhadora, um vocal gutural e uma pró atividade nas redes sociais diferente de algumas bandas do estilo. 



Às vezes as bandas estão preocupadas em apenas tocar, mas esquecem do relacionamento com os fãs ou com os possíveis fãs. É uma relação de conquista e divulgação natural que supostamente deveria acontecer. 

Eu pelo menos dou muito valor a esse tipo de atenção que uma banda dá para os que acompanham e ouvem seu som. Mákina é uma banda com um som agressivo, mas feito por meninos que de agressivos não tem nada. A agressividade deles se chama "força de vontade" de fazer as coisas acontecerem.

Refletir é uma atitude que nos leva a caminhos diferenciados, toda vez que fazemos esse exercicio nem sempre estamos prontos para o inesperado. A banda é formada por garotos que escolheram além de fazer música, refletir. Pelo menos é assim que os vejo quando tocam, durante as conversas que tive on-line com eles ou simplesmente analisando a descrição que os próprios fazem da banda. 

Falar sobre o cotidiano da periferia (principlamente no caso de Belém), é escolher não estar passivo. Eles refletem sobre a realidade e fazem as pessoas embarcarem nesse pensar. Tudo isso só se entende ao vê-los no palco.

Não sou nenhuma expert sobre o movimento hardcore, na verdade tenho aprendido com o tempo sobre tudo, musicalmente falando, mas o principal não é saber detalhes do estilo, o tesouro de ouvir música está em sentir, em extrair uma mensagem que vire uma segunda pele, não como máscara para um esconderijo pessoal, mas para reforçar o que se é. 

O hardcore é uma experiência única para quem ouve e conhece, são as vozes urbanas, criticando a realidade social. Os gritos e toda a agressividade vista em palco é uma forma de exteriorizar ideias (já falei em outro post sobre exteriorização e estilo). 

A sensibilidade de perceber as transformações ou os entraves sociais também é do hardcore, não só do punk, se bem que de certa forma eles dialogam entre si. Sim, isso mesmo, existe sensibilidade na agressividade. 

Li um artigo de um mestrando chamado Roberto Oliveira, no qual ele dizia que o hardcore não é música para fazer você relaxar ou esquecer dos problemas. Deve ser por isso que tem gente que fica perturbada com o "barulho", não é? (risos)

Afinal de contas é mais fácil não lidar com os problemas, se acomodar é como um sófa bem fofinho que não dá vontade de sair. Mákina vem nos lembrar que refletir é preciso. Como uma espécie de planejamento prévio para nos tornarmos parte da mudança que queremos ver.

Andre Fanho (vocal), Pëixë (Vocal), Sanderson (guitarra), Bruno feio (baixo) e Rafael PB (bateria) estão começando e tem tudo para continuar muito bem obrigado.

Quem quiser conferir o som do Mákina, tem show  dia 27 de novembro no Fuxico e dia 10 de dezembro no Cultura Estudio. 



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