21/11/2011

Nigel, poesia com o corpo.

Sempre tive uma vontade louca de dançar, lembro que minha mãe me colocou no balé quando eu tinha cinco anos e a professora se aborrecia comigo, porque naturalmente por ser gordinha eu não conseguia levantar as pernas muito alto, mas quem disse que eu ligava ou chorava por isso, gostava mesmo daquela roupinha de bailarina, que era uma fofura. 

Foto: Philippe Medeiros

Dançar é coisa de artista, de gente que tem talento e disposição para isso, que consegue encarar mais de duas horas de ensaio com dedicação e literalmente suor. 

Dançar profissionalmente não é coisa para gente como eu que adora uma sombra e que não consegue subir uma escada sem colocar a língua para fora. 

Essa arte exige amor e uma dose enorme de preparo. Conheci em julho desse ano um rapaz onde trabalho e depois de alguns dias de conversa descobri que ele participava de uma cia de dança, é bem comum conhecer artistas na Fundação. 

Passou algum tempo e uma noite encontrei com ele no ônibus, perguntei de onde ele vinha e ele disse: ah, eu tava ensaiando. Meu Deus, era um sábado ou um domingo e ele tava ensaiando até altas horas da noite, vida de artista não é fácil como parece, principalmente a dos dançarinos, que levam muito a sério os ensaios. 

Nigel Anderson é da Cia Mirai e acredite, dança muito. Ver o Nigel dançar é uma sensação única, ao mesmo tempo que bate aquela vontade de contemplar, bate a vontade de dançar, dançar e dançar. Sua arte traduz o urbano, usando influências até de k-pop. Consegue dialogar com o mundo contemporâneo como dizem, n'uma boa.

Foto: Pedro Machado

Participou recentemente do espetáculo “Cinesiofagia Urbana” que usa o hibridismo da contemporaneidade para mostrar um pouco da dança urbana. O "Cinesiofagia" usou não só a dança, mas a fotografia, o audiovisual e as intervenções urbanas. Foi o DJ MASA que fez a trilha sonora do espetáculo (quem foi ao Se Rasgum teve a oportunidade de ouvir ao vivo o som dele).
Passei horas revendo os videos do Nigel dançando e selecionei esse, que foi o que mais gostei. 

Além de um incrivél dançarino Nigel é artista visual. Sempre fico apaixonada com os vídeos que ele produz, que tem alta carga de sensibilidade. "Revele" e "Remanesça" são produções de muito bom gosto, que retratam o jeito do artista, que mostra que existe algo no corpo de muito interessante e profundo. Quem disse que o corpo é superficial?

Observando o Nigel dançar me dei conta que nosso corpo é mesmo curioso, ouvimos uma música, vemos um vídeo e logo estamos mexendo os pés, as mãos, uma arte nos atrai para a outra e elas co-existem. Dançar é uma forma de falar com o corpo o que às vezes nem as palavras dariam conta de fazer. Espero ver o Nigel dançando mais vezes, porque ainda existe um mistério na dança que eu pretendo quem sabe desvendar.

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