20/11/2011

Aventuras no Se Rasgum.

Pensei se ia escrever sobre as bandas que vi no Festival Se Rasgum, mas cheguei a conclusão que não me senti empolgada o suficiente para escrever sobre cada uma delas, não porque não foram boas, mas é porque acho resenhas sobre festivais um pouco chatas, e esse blog não tem essa proposta sempre. Nesse Festival me concentrei em outras coisas.

Foto; Chris Leão

Ficava minutos e minutos perdida observando as pessoas, como se comportavam, de que forma bebiam, como riam e dançavam. Tinha esquecido o quanto é bom sair de casa para ouvir música, encontrar velhos amigos e observar a viagem que as pessoas fazem diante de uma banda ou de um artista.

Esse ano vi gente diferente circulando pelo Hangar, com roupas modernas, futuristas, esportistas, sensuais, comuns. Só faltou ver gente pelada, mas nada é tão perfeito. Além das que foram lá por curiosidade e gostaram da mistura que o festival propôs nessa edição.

Encontrei uma amiga no sábado que ainda não tinha ido ao Se Rasgum, em nenhuma das edições, e gostou bastante. Também encontrei amigos que sentiram falta de uma noite mais roquenrol para apimentar a mistura. 

Esbarrei com alguns professores, colegas de trabalho, figuras famosas do twitter e conheci algumas pessoas que pretendo manter contato. Ganhei cd's, me pagaram crepes, comi tapioquinhas e dancei como se fosse a primeira vez. Lembrei de tanta coisa boa e percebi que já não sou tão nova assim para enfrentar uma maratona de shows e nem tão velha para ficar em casa.

Belém precisa de mais festivais, sei que tem muita gente talentosa e com vontade de fazer, mas não faz. Percebi antes mesmo de começar os 3 dias de Se Rasgum, que os comentários que reclamam de tudo continuam ano após ano, e dos que reclamam e passam a vida nessa lamúria, ninguém monta um projeto, que realmente dialogue com diversos estilos (sei que não são todos) como o Se Rasgum ainda consegue fazer.

Claro, que toda produção cultural tem suas falhas, sabemos que o festival é um negócio, mas a experiência que esse "negócio" proporciona serve como reflexão.

Andando pelo Hangar e vendo o que foi montado, as poltronas reciclaveis, a limpeza, o aconchego de ver um bom show sem me desidratar n'um calor infernal, ouvir o vocal das bandas claramente, não me arrependi de ter ido. 

Essa é uma das coisas que mais gostei, poder entender as letras e ouvir cada instrumento sem chiados ou interferências maiores (volto a dizer que não existe nada perfeito). Mas em contrapartida me bateu uma melancolia porque em certos momentos o meu lado, aquele acostumado com o passado, queria estar breado, e  estar em um lugar mais sujo e sem poltrona para sentar. Sou uma pessoa feia por viver essa contradição? Não sei, talvez eu ainda esteja vivendo a crise do estranhamento.

Não é fácil conviver com as mudanças, que sempre nos causam um certo medo, mas no final das contas esses dois dias que fui valeram de verdade, seria injusto falar quais bandas gostei mais, porque essa não era minha vontade quando pensei nesse relato. Não queria fazer julgamentos, nem tenho vivência o suficiente para isso.

O mais importante é se dar a chance de ver pessoas, de perceber que existe mais do que você e seu computador no mundo. Que existem bons artistas falando sobre o mundo deles e o seu, e que ver isso ao vivo sempre é bem melhor.

Não consigo imaginar uma vida sem música ou sem festivais, que às vezes se assemelham a cultos, para celebrar uma arte que impulsiona todos os dias grande parte dos indivíduos a abrir os olhos e continuar.

Das coisas que não entendo está e sempre estará uma frase que uma vez ouvi de uma menina n'uma mesa de bar, mais ou menos assim: "Eu não gosto de música, de nenhuma mesmo, é uma atitude moderna e sou feliz assim".

Não sei se meu conceito de felicidade é ultrapassado, mas se ouvir música for coisa de gente ultrapassada, tudo bem, não tenho vontade alguma de ser moderna. 

4 comentários:

  1. Nunca vi tantos grupos misturados. Essa edição do Se rasgum, mostrou que projetos culturais são para todos,não somente para os ditos "alternativos". Eu amo a diversidade, e quando a vejo de perto, fico delumbrada.
    Quanto ao evento ter sido no Hangar, eu amei, e digo mais, achei super justo o preço, música boa,sem calor e sem neura com o carro estacionado... é oooteeeeemoo!

    Leane Leão

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  2. Pois é Leane, você falou a palavra mágica: diversidade :)

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  3. Não foi a melhor edição do festival, mas foi muito bom ainda sim. E quanto ao evento ter sido no Hangar, ao contrário da leane, não curti muito. Sempre que tem evento lá fico com a impressão de que "não pode fazer isso, não poder fazer aquilo, cuidado com a vidraça" rsrsrsr

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  4. Ouvi um comentário engraçado de um amigo, que era assim: hangar, lugar de gente bonita. Sou feio, mas fui! AHAHAHA

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