24/11/2011

Saudade, A Euterpia, Saudade.

"Não adianta sentir a dor da orelha de Van Gogh caindo"

"É o horizonte que me espera, fuga que me aguarda, o tempo esmagador"

Estou com saudade. Foi assim, durante o sono da madrugada acordei com uma vontade doida de ligar o computador e ouvir novamente, para lembrar de como eu era, de como Belém parecia para mim seis anos atrás. Algo só existe quando alguém percebe, é nessa dinâmica que a música parece se fazer e refazer todos os dias.



Sinto falta de vocês.


No caso dessa banda não era preciso perceber algo de maduro e diferente, porque eles independiam de percepções para existir. Não precisavam de muita gente elogiando para que outras pessoas se interessassem neles. Eles eram bons por eles mesmos. A poesia deles bastava.

Quem me apresentou a banda foi uma amiga que não tenho mais contato, a amizade sumiu, mas a A Euterpia ficou.
Eu ouvia todos os dias o álbum "Revirando o Sótão" e chorava em algumas faixas. Essa banda me acompanhou em grandes momentos daqueles que se caminha com passos incertos em estradas esburadas e embrutecidas.

Talvez eu ouvisse A Euterpia para preencher o vazio que sentia da distância de casa, ouvia para acalmar demônios, ouvia repetidamente.

Cheguei a ver um ou dois shows deles, que sempre lotavam, e tinham pessoas que nem eu, que cantavam todas as letras e se emocionavam profundamente.

É claro que tinham aqueles chatos para nos chamar de "posers". "Vocês fazem capinha de emocionados", mas nunca ninguém ligou para isso. Talvez sejam os bisnetos dos mesmos famigerados que mandaram Bob Dylan voltar pra casa (risos).

A banda batia forte no coração mesmo, era coisa de outro mundo e simplesmente não dava para tirar do mp3, ainda era na época que no mp3 cabiam umas vinte músicas só, e tinha que se gastar uma pequena fortuna com pilhas palito.


Gostava de ir na loja de cd's e passar a mão na capa do álbum, era um sótão, com vários objetos bonitos, que se misturavam com uma madeira de cor forte. As músicas seguiam o mesmo caminho intimo e de rememoração que sugeria a capa.

Acabei nunca comprando o álbum. Dia desses o vi na prateleira de novo, segurei com as duas mãos e disse para mim mesma: poxa, que saudade, voltem a tocar, por gentileza.

Eu não tinha dinheiro na bolsa naquele dia, mas espero voltar para comprar, tenho vontade de ter os meus cd's favoritos além da versão virtual, coisa de gente chata, vocês tem esse sentimento também?

Marisa Brito (voz), Antônio Maria Novaes (violão e voz), Carlos “Canhão” Brito (bateria e percussão), Márcio “Pato” Melo (contrabaixo) e Tom Salarzarcano (guitarra). Estudiosos da música, sempre em busca do aprimoramento, que nos presentiaram com músicas que poderiam tocar todos os dias em nossas casas, no trabalho, nos parques.

"Veneza" e "Brechot do Brega" me levam para lugares onde nunca estive e me fazem esquecer o que nunca lembrei.
Não precisamos nos importar com o porquê do fim de uma banda, isso chega a ser superficial, tudo na vida tem um tempo cronologico, criativo ou emocional.

Talvez tenha chegado o fim para os que faziam música, mas nunca será o fim para nós que continuamos firmes e com muitos ouvidos para escutar a banda.

Como felinos ronronamos para nosso próprio coração, que com um jeito calmo bate a cada nota.

Obrigada A Euterpia, como dizem, foi firme!   

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