13/11/2011

Strobo, trilha sonora para voar.



Assim de cara vejo que eles tem uma música com o nome "Dramática", foi a primeira que quis ouvir, afinal de contas toda mulher é dramática, só muda a intensidade do drama. Não sou vidente para arriscar palpites sobre o que os caras pensaram ao fazer o primeiro álbum, mas sei que tem cheiro de coisa boa, e é preciso reservar alguns momentos da vida para ouvir Strobo. E isso meus caros, é para ontem.

Não porque simplesmente você tem que se reafirmar como underground ouvindo tudo que surge em Belém, mas porque os ouvidos merecem música boa, e cá entre nós, música boa é a que nos faz pensar e repensar sobre algo dentro de nós, sobre a própria música, sobre o vazio que bate na hora do almoço e nem é fome.

Strobo é um equipamento de iluminação profissional, que ilumina os palcos, não entendo absolutamente nada de iluminação profissional, tive que recorrer ao Google para saber que era isso (risos). O que eles pretendem iluminar? Não sei, mas em mim iluminaram uma nova percepção de ouvir música eletrônica, que confesso não gostar muito, mas no caso do duo as coisas acontecem n'uma dinâmica diferente. 

Simplesmente não dá para sentir falta de uma música certinha, o que esses meninos crescidos estão aprontando soa livre. Nem de longe Strobo soa querer delimitar as coisas.

Geralmente costumo criar uma playlist para andar na rua e perceber as pessoas. Em Belém isso é muito eficaz, porque a cidade é tão cheia de diferenças e curiosidades (a gente deixa de perceber com o tempo) que uma trilha sonora cai muito bem. Fui caminhando pelas ruas de Nazaré a noite ouvindo Strobo e é algo que precisa ser experimentado. As luzes, as pessoas, tudo se encaixa perfeitamente ouvindo "Radioativo" ou "Zouk House". Para completar os caras lançam um segundo EP, que consegue captar a cara atual da música paraense sem perder a mão do primeiro, é de apaixonar.

O duo é mais que uma música instrumental eletrônica, é um retrato da contemporaneidade, que descarta letras extensas e sonoridades comuns para passar sua mensagem. Vemos uma nova estética na música paraense, dois rapazes fazendo música de polissentido e nós aqui assistindo a tudo. 

Pensar na produção de arte daquele jeito certinho é não entender a pontencialidade do homem de externar o que ele tem dentro de si (nossa, até me emocionei falando isso, rs). E vejam quantas coisas legais e bonitas alguns artistas tem dentro de si e finalmente estão externando, sem medo da estrutura que já se criou para pensar, consumir e sentir a música.
Léo Chermont (guitarra) e Arthur Kunz (bateria) andam fazendo estrago e dos bons.

2 comentários:

  1. Nunca tinha me entressado em ler nada sobre o Strobo mesmo pq conheço bem a banda. Mas ficou muito massa esse texto. Me prendeu.

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  2. Que bom que você gostou, Strobo é muito bom mesmo :)

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