10/11/2011

Tecnobrega, eu gosto, e daí?

Nada contra. Não tenho nada mal resolvido com o tecnobrega. Já fui de odiar e dizer que nunca ouviria, o que reflete o quão preconceituosa eu era. É claro que ninguém é obrigado a gostar para não ganhar o rótulo de ignorante ou estraga prazer, mas é preciso vivenciar as coisas. Já é natural escolher pela primeira impressão, muitos casais começam assim, posso usar essa dinâmica pra música, uma vez que coincidentemente (ou não) quem eu mais tinha aversão de ouvir é quem eu mais ouço, mas nem sempre isso acontece, eu sei.


Não gosta da batida da nave do som? Beleza, vá para casa coloque um Tom Jobim, beba um uísque e seja feliz com sua garota, mas não fique replicando nas redes sociais o ódio pelo movimento tecnobrega, que queira ou não é mais independente do que muitos movimentos musicais/culturais tupiniquins e movimenta a economia.

Deixem de ódio no coração minha gente, o tecnobrega tem muito mais a nos dizer do que imaginamos. É admiravél a produção feita com poucos recursos, a venda de cd's e dvd's a um preço acessivel, e shows com todo mundo bem suado, curtindo o momento sem se preocupar em parecer de cera. Dançar. Nunca foi tão gostoso dançar ao som da Gang do Eletro ou de Gaby Amarantos.

O legal desses artistas que misturam tecno com brega é que grande parte deles faz a própria maquiagem e figurino. Ensaiam em quintais, cozinhas, banheiros ou escondidos no trabalho. Claro que em outros estilos musicais também acontece esse espirito de “me viro como posso”, mas no tecnobrega tudo que parecia tão caseiro tem ganhado jeito de profissional, e o é de fato (?).

É música vinda da periferia, mas não circula só por lá. Foi gostoso ver o show paraense Terruá Pará e a Conexão Vivo apostando no tecnobrega. A experiência de ver e ouvir esse tipo de som no Teatro Margarida Schivasappa foi pura catarse. Foi como se estivessemos quebrando uma barreira cultural, que cá entre nós é bem idiota.

Estou n'um processo de abrir o coração, querendo sentir e ver o que antes eu repudiava porque era de massa. Não sou dessas avessa à massa, nem tudo que vem dela é tão ruim quando parece. Essa atitude deixo para as elites que fingem não gostar ou que recusam se “misturar”. Intelectuais e acadêmicos não sejam tão brochantes, produzam conhecimento sobre esse movimento cultural que ganhou as ruas, entrou em aviões e navega pelo mundo digital. Já está aí, não adianta comprar todos os dvd's piratas e queimar, isso não é Fahrenheit 451. “Virou modinha”, que seja, sempre vão existir desculpas para repudiar o que é popular. É a putificação do pensar.

3 comentários:

  1. Adorei o post. Também acompanhei o fato acima citado. E parabéns Monique, ter preconceito é fácil, difícil é admiti-lo e remediá-lo como você fez. Isso prova o quanto estás crescendo como jornalista!

    E só pra constar, não sou fã de tecnobrega, apesar de gostar do brega das antigas. Porém fiquei absurdamente orgulhosa com este trabalho da Gaby. Espero que continue seguindo este caminho.

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  2. Uma vez vi um tweet assim: "O tecnobrega virou cult, e ai de quem não goste". Eu ri, e de certa forma concordei. São pouquíssimas coisas nesse meio que eu consigo escutar. No caso, o que consegue ser muito engraçado e diferente, como a banda UÓ, até passa. Mas o resto não consigo. Penso também que existem coisas que são legais, que conquistaram seu espaço aqui, mas que pra fora ainda não conseguiram ganhar destaque. Eu admiro a forma com que a Gaby conseguiu impor esse espaço e ser lembrada lá fora. Independente de quem goste ou não, tem que ser reconhecido que ela conseguiu o devido reconhecimento.
    P.S- Parabéns por saber responder em situações cômicas como a de lá de cima^^ isso é admirável.

    Beijos!

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  3. obrigada Hanna, tens razão, é como eu disse no texto, somos livres para gostarmos ou não, assim como me senti livre pra mudar de opinião. O importante é respeitar acima de tudo. :)

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