21/12/2011

Amy e os jornalistas "orelhas de livro".

Muito já se falou sobre Amy Winehouse, as drogas que usava, os relacionamentos conturbados e a morte dela. Textos, resenhas e reportagens que em sua maioria colocam Amy apenas como uma cantora com influência de Billie Holiday e que bebia até cair. Dá para perceber que tem muito jornalista por aí que é um belo leitor de orelha de livro e péssimo ouvinte.


O assunto autodestruição foi bebido até a última gota provocando um mal estar geral misturado com uma saudade vazia e condicionada por uma descoberta do amor que vem com a perda, que talvez não seja verdade.

Quando um artista morre ele se torna genial, mas antes da morte sua obra sofre por criticas reducionistas e preconceituosas, que se focam muito mais na vida pessoal do que na obra, que é o principal.

Amy conseguia ser boa porque não fazia algo que soasse forçado para parecer bom. Provavelmente uma cantora como Duffy não tem tantas referências e conhecimento musical como Amy demonstrava ter. Lembro que gostei do hit que levou a Duffy para as paradas de sucesso. "Mercy" era uma música divertida e tinha uma pegada legal, mas faltava a Duffy uma profundidade musical, que para Winehouse sobrava.

"Back to black" é um álbum que não gosto tanto, porque não mostra o que a artista tinha de mais interessante. É claro que tem uma música em especial nesse trabalho que me conquista de cara, é a música "Addicted", com uma sonoridade que me lembra músicas do The Slackers, como "Close my eyes".

Para compreender o talento de Amy é necessário e obrigatório ouvir o álbum "Frank", que mostra uma artista completa, que conseguiu aliar uma voz de diva do soul, com o melhor da sonoridade soul/blues/ska. 
Se você fizer a experiência de ouvir com fones de ouvido vai perceber que as músicas desse álbum te dão diversas formas de sentir a mesma música. Se a cada vez que ouvir você se concentrar em um instrumento diferente vai perceber. Tente fazer isso enquanto ouve "Help Yourself".


Esse álbum é quase uma unanimidade de qualidade musical. É muito fácil gostar de todas as faixas, especialmente as que soam mais românticas como "I heard love is blind" e "You sent me flying", que guarda boas surpresas.

Porém músicas como "In my bed" e "October song" são músicas que dificilmente ouviriamos nas rádios, pelo menos nas do Brasil, porque desconheço a programação das rádios internacionais. São essas as que dão mais vontade de dançar, como diria uma amiga minha, são essas as "altamente grooveadas" (risos).

Falando de Amy me lembrei da Adele, que muitos comparam com a cantora, pela voz etemas das músicas. Para falar a verdade ouvi Adele pela primeira vez ano passado, fiquei com o álbum por um curto período no mp3, me enjoei dela. Para as amigas que apresentei Adele, ela foi como um achado. Acontece de você não ser captado por um artista mesmo ele sendo bom. 

Adele soa para mim como música gospel, daquelas que enfatizam a voz que chega nos agudos. É um pop que não tem muita coisa cativante além da voz divina que ela consegue demonstrar ter. 

Não é isso que eu procuro nas cantoras que ouço, eu procuro uma identidade marcante, um diferencial. Gosto de produções que soam como um som particularmente do passado, mas com elementos modernos e próprios. E isso tudo não precisa ser a música que vai salvar o pop.

Essa semana não consegui resistir e comprei o álbum póstumo da Amy. Tinha um receio de achar esse álbum o melhor biscoito do pacote só pelo fato de ser póstumo. Porque toda obra que nos é apresentada após a morte do artista acaba parecendo genial por uma espécie de exaltação que temos envolvendo a morte. 

É claro que o "Lioness Hidden Treasures" parece de relance meio desconexo, com algumas faixas que não conversam entre si, mas esse não é mesmo o foco do álbum e sim apresentar o gosto final do que Amy não nos apresentou ou o que ainda poderia nos apresentar.

Em faixas como "Our day will come" dá para entender o que era a arte verdadeira de Amy, que flertava com o soul, o dub, o ska e o rocksteady. Já em "Will you still love me tomorrow" ela lembra muito a sonoridade de Nancy Sinatra em "Flowers on the wall", com um jeito de romance com mistério.

Bonitinho ver "The girl from Ipanema" nesse álbum, mas não é uma faixa marcante. Diferente de "Halftime" e "A song for you", que são de balançar corações e parecem mesmo a melhor forma de Amy se despedir. Uma artista que vai fazer falta com toda certeza. 

Mais música e menos fofoca, por favor! Desse jeito paparazzi as pessoas perdem o melhor do mundo. Vamos mudar o foco das percepções e aproveitar o que de bom pode acontecer com essa escolha. Por exemplo, a música.

2 comentários:

  1. Nossa, é incrível como você exteriorizou exatamente o que eu acho de Amy e suas músicas, eu ouço várias delas todos os dias quando estou no bus, na rua... a faixa Addicted é incrível...é só colocá- la para levantar o meu astral... Rehab a mesma coisa...
    As músicas da Amy tem esse poder de fazer agente voltar num tempo que nunca vivido por nós...parece que ela é uma pessoa da década de 60 que nasceu na época errada e quando eu escuto a música dela sinto a mesma coisa, penso: poxa, nasci na época errada! E nas músicas dela parece que não há separação entre passado, presente e futuro...é um momento atemporal alucinante. É,a Amy já está fazendo falta...saudades demais.

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  2. Ouun querida valeu, muito bom saber que a Amy marcou e marca as pessoas pela arte que produzia. :)

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