26/02/2012

Erykah Badu, neo soul e siquerência.

"Eu gostaria de dedicar esta canção a todos os filhos. Eu tenho um pouco de comida na minha bolsa para você. Não é a comida comestível, o alimento que você come, não. Talvez algum alimento para o pensamento. O conhecimento é infinito"

Como não amar Erykah Badu?! 


Sempre brinquei que queria ser negra, que queria ter voz da black music e virou um mantra para mim elogiar músicas com groove.

É uma sensação diferente quando ouço a voz dela, me bate uma vontade de dançar como se meu corpo fosse uma onda. Falar sobre como tenho vontade de sair por aí saltetando soa um pouco ridiculo, afinal eu sou péssima dançarina.

Acho que o que importa mesmo é que percebo que as pessoas também sentem essa vontade quando ouvem a Erykah Badu ou vontade de qualquer outra coisa boa.

Conheci o som dela porque tem uma música da Amy Winehouse que cita a Erykah, então para matar a curiosidade fui procurar e para minha surpresa foi amor à primeira ouvida.

Badu tem um gosto de nostalgia, tem gosto de ruas iluminadas pelas luzes artificiais mais bonitas (pelas quais nunca passei), ela tem gosto dos amores que eu tô afim de provar.

Ela tem gosto daquele momento em que os olhares se encontram e decidem que se querem, ela tem gosto do que embala e te capta sem perceberes.

Com seu trip hop delicioso é fácil demais a artista conseguir espaço nas discografias favoritas dos que amam hip hop, soul e jazz.
Meu álbum favorito vai sempre ser o "Baduizm", pelo qual recomendo começar a viagem pela obra de Badu.

Porém, não dá para falar dela sem lembrar que existiu uma mulher iluminada, de aparência quase ao natural, mas de voz espetacular, chamada "Bessie Smith".

Sem Bessie o soul não teria tanto charme, pelos menos para mim. Eu poderia ficar horas ouvindo "Do your duty" ou "Nobody knows you when You're down and out", que você pode conhecer clicando aqui.

Ao mesmo tempo que Bessie carregava em sua música uma alegria e um balanço perfeito para arrastar os casais separados para mais uma dança, ela tinha uma tristeza que era estranhamente bonita.



Badu tem essa tristeza escondida que nos faz dançar e esquecer que existe uma contagem que se traduz em horas, que movimenta o mundo.

Falando na influência dela na música de Winehouse, basta ouvir faixas do álbum "Frank" como "In my bed", que tem uma levada R&B muito "Badu de ser" e a faixa "You sent me flying", na qual o melhor desse diálogo aparece, inclusive nela Amy fala o nome de Erykah (risos), "lent you outsidaz and my new Badu", clique aqui pra conferir.

"He gave me the song that I came to give. Pressure's on me but the seed has grown. I can't make it on my own" (Ele me deu a música que eu vim a dar. Me sinto pressionada, mas a semente cresceu. Não posso conseguir sozinha)

Ah o trip hop! Essa música lenta com batidas que só são desaceleradas para os ouvidos, mas aceleradissimas para o coração. Os teclados, os ruídos e essa voz ao pé do ouvido da Erykah me fazem lembrar de um casal que vi dançar essa semana, eles se abraçavam e a mão dele ia desenhando linhas na costa dela, que por sua vez se movimentava suave e sensual olhando para ele. É isso, sensualidade, não há nada mais atraente que um som que nos desperte nosso estado natural da existência.



"Most intellects do not believe in God but they fear us just thesame. Oh on & on & on & on. My cipher keeps movin' like a rollin' stone" (A maioria dos intelectuais não acreditam em Deus mas temem como qualquer outro. Oh adiante e adiante, adiante e adiante. Meu corpo continua indo como uma pedra que rola)

As letras da Erykah tem espiritualidade sem serem pedantes, falam sobre o amor sem serem piegas, levam em consideração as pessoas e tem verdade, aquela que só se vê em um artista de verdade. Porque cantar pode ser pra muitos, mas ser artista não é pra qualquer um.


Baixe o álbum aqui.

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