02/02/2012

"Machete", juventude certinha porra nenhuma!



"Eles curtem se apresentar mesmo que seja só para os amigos e sem pensar muito na visibilidade. Sem clichês e amarras fazem o que gostam. Tocam sem grandes compromissos, a não ser com a própria música".

Foi um presente foda escrever isso sobre eles e escreveria novamente, porque o que eu vejo nascer é uma banda de rock de caras que amam o que fazem.

Faz um tempo que fui assistir no Líbero Luxardo o filme "Machete" com meus amigos. Sou apaixonada por esse tipo de produção debochada e um tanto trash. O nome da "Machete" veio desse filme mesmo, e acho que de certa forma acabou combinando mesmo, mesmo sendo garotos muito educados e inteligentes (mostrem isso pra mãe de vocês rs) eles são meio debochados, mas de uma forma divertida como o punk deve ser.

A banda existe desde 2010 e já produziu a demo intitulada "Juventude Perdida" e o split "Seven steps to hell", resultado da parceria com a banda paulistana Aquëles. Felipe (vocal), Robson (guitarra), Edwin (baixo) e Wood (bateria) fazem um punk com influências de punk 77, hardcore americano dos anos 80, surf music e garage.


Pra ser sincera, eles me lembram uma parte da minha vida que foi o maldito colégio de padres que eu estudei, onde tudo era proibido e mal visto, visual, música. Me lembro uma vez que fui chamada na diretoria porque eu tava com uma camisa do Nirvana. Então quanto mais as pessoas te pressionam para que você seja o que não é, aí é a hora exata de ser o que se é de VERDADE.


Digo que eles me lembram isso porque quando ouvi "Juventude Perdida" me despertou uma espécie de tristeza, eu lembrei daquele prédio enorme em verde claro e branco, pintado a cal, e como eu não tinha com quem conversar eu descascava as paredes do colégio com a mão até eu enxergar um buraco enorme que me acalmasse.



Vegetarianos e Straightedges, Sempre encarei que as músicas que os artistas produzim são em algum momento parte do que eles são. É preciso muita coragem para assumir uma sonoridade punk sem estar devidamente encachaçado. 

"Os Teen Idles eram menores e repudiavam serem proibidos de freqüentar os shows punks da cidade porque no local havia bebida alcoólica. Ao contrário da maioria dos punks da época, eles não bebiam e nem tinha vontade de provar algum tipo de droga. Essa filosofia de vida foi adotada por diversas bandas ao longo do tempo, inclusive pelo Machete. Mas quem acha que os integrantes da banda não se relacionam ou tem desprezo por pessoas que bebem, estão muito enganados."

Pude comprovar nas conversas e entrevistas que fiz com eles que é mesmo por aí, eles tem um respeito enorme pelas pessoas que tem escolhas diferentes da deles, talvez seja isso que faz o som final da banda soar tão verdadeiro. "Antes que o diabo saiba que você" é tão significativa quanto qualquer boa produção de punk e me arrisco mesmo a dizer que esse é só o começo de uma banda que graças a força de vontade deles mesmos (porque não vou meter Deus e nenhum santo nisso) de estarem conquistando até mesmo a mim que não ouço punk com tanta frequência como gostaria.




Para ouvir os meninos clique AQUI.

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