13/02/2012

Meachuta, porque ser bizarro é gostoso.


Existiu um dia que eu saía pouco para festas, como todo mundo tá cansado de saber, sou do interior e na cidade em que nasci se você não gosta de sertanejo ou forró, tem pouca opção. Então graças a todas as forças lindas do mundo, eu tomava umas cachaças atrás da igreja e levava meu discman.

Quando vim pra Belém tinha uma amiga meio doidinha que me levava pra várias festas. Eu morava na Almirante Barroso e voltava sempre de manhã, eram tempos legais. Em uma dessas saídas lembro que eu tava andando pela Quintino e um grupo de pessoas nos parou, então eles tiraram da mochila uns flyers coloridos, que pareciam mini quadros, era um troço legal sabe?!

Eu sempre guardava tudo na bolsa, e no final de semana tirava, colocava em cima da mesa e escolhia pra onde eu iria, não tinha o evento do facebook, só tinha o scrap do Orkut. Sempre gostei de flyers, na minha bolsava tinha mais flyers que dinheiro. Era legal colecionar, apesar de toda essa história de que devemos economizar papel por causa da floresta, que eu no fundo concordo, claro.

Eu fui conferir as primeiras Meachutas. Era uma festa com uma proposta legal (ainda é), bizarra e que influenciou muita gente em criar sua própria festa com referências fashionistas e glam (uma atitude com mais brilho).

Conheci muitas figuras de desenho animado nessa festa, pessoas que encaravam o adereço que usariam na festa como parte de sua personalidade, porque mais que se divertir elas queriam ser lembradas de alguma forma, mesmo se fosse pela bizarrice. Eu vi pela primeira vez uma juventude GLBT (heteros também) que tinha atitude, e que na Meachuta se sentia livre pra ser o que era.

A festa que começou tímida (mas nem tanto assim), se tornou um evento super esperado, e onde quer que os realizadores decidissem fazer uma “Meachuta” tinha gente pra ir, mesmo se eles nem divulgassem, teria uma fila querendo ir.

As pessoas queriam ser fotografadas, queriam ser notadas, e sinceramente não sou contra isso, cada um exterioriza seu conteúdo da forma que quer. Se o mundo da moda e da música eletro-glam andam ligadas, temos que entender que se trata da identidade de um grupo de pessoas que acredita que seu poema ou sua mensagem pode ser transmitida com a exposição do corpo, sendo com ou sem roupas, tanto faz.

No final a gente vê muita hipocrisia vindo de gente que critica esse tipo de identidade, mas vai em todas as festas, porque ao mesmo tempo que se repudia o bizarro, ele também atrai.

Acho que quando penso na Meachuta penso na figura da Divine em Pink Flamingos, penso no choque, no nosense e eu gosto disso. As coisas já são caretas demais, então não adianta cuspir no que te incomoda, na verdade é desse tal “ódio” que o sucesso do alternativo/bizarro vive e se alimenta, mas também de gente que gosta da diversão, pura e lambuzada, como uma nêga maluca bem suculenta.

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