24/03/2012

Pela beleza das ruas estreitas com a "Pública".


"Acordei e era um sonho, rir da vida é sempre tão real, tanta gente descontente, gente que não para de sonhar"

Demorou, nem sei porque da demora para que meus ouvidos encontrassem de verdade a música deles, mas agora que fazem parte dos meus dias espero que não parem de surpreender a todos, que no mesmo ritmo que o meu encontraram lições de vida, de amor, de luta e amizade nessas lindas letras e sonoridades.

O "Canções de Guerra" do Pública é um disco para ser apreciado devagar, sem pressa alguma de viver. É para ser levado na mochila como artefato importantissimo da jornada do aventureiro, do desbravador.

Sempre acabo sendo emotiva demais quando falo sobre as bandas que eu gosto, mas a relação entre música e ouvinte deve ser essa, de envolvimento, entrega. Não há nada melhor que ouvir um álbum inteiro e refletir sobre coisas que estão dentro de você e passam desapercebidas.

Posso dizer que a banda amadureceu, não que eles soassem infantis anteriormente, mas musicalmente evoluíram, é o que costumo chamar de música para adulto que precisa se reavaliar internamente. Pelo menos é isso que acontece comigo a cada dose do "Canções de Guerra".

Uma banda que soava quase como Strokes, Supergrass e Interpol ganhou seu próprio caminho, e hoje soa mais nostalgica, deixando o ouvinte meio "baquiado" e de coração na mão.

Às vezes esqueço que eles são gaúchos. Uma vez li uma resenha que concordo bastante, o autor dizia que o Pública vai na maré contrária de bandas como Graforreia Xilarmônica, Bidê ou Balde e Cachorro Grande, que tem um quê de The Who.

Logo depois de ganhar um VMB eles estiveram em Belém, trazidos pelos caras da "Durango", mas nessa época eu não conhecia a banda e não fui. Mais uma para lista dos meus arrependimentos musicais.

"Tenho saudade da vida passada, dos velhos amigos, das mesmas risadas, das mãos e conversas em volta da mesa, que agora calada recorda tristeza"

"Corpo fechado" é uma das minhas favoritas, talvez porque ela me lembra das coisas que sinto saudade, de como é dificil a arte do desapego, do dizer adeus para o passado, para grandes amigos que partem. 

Acima de tudo é sobre se manter forte. 

A banda conhecida também pelos seus clipes legais, fez um dessa música que ficou ótimo. Para conferir clique aqui.

"Cai um irmão do meu lado, um sonho guardado, pintado de sangue, por mãos de outro homem, que mata ou que morre (...) volta pra casa que é hora, teu filho que chora escreve esta carta pendindo tua volta, que a guerra é passado"

Cartas de guerra me faz pensar sobre situações de guerra ao pé da letra, mas talvez vá além falando sobre nossas guerras particulares e nossas constantes lutas internas. 

Todo dia acordo, abro os olhos e o sol vai invadindo todos os cantos da minha casa. Então penso: preciso levantar, tenho medo que seja um dia ruim.

Lembro que não existem dias ruins, os que costumamos chamar de ruim é aprendizado, crescimento. Diria que esse álbum do Pública em especial pode e deve ser considerado como uma mantra do amor, da batalha, do bem.

Então vem "Jazzmine" com ukulele e um piano fodissimo de Luciano Leães, que é um monstro do piano, fazendo toda a diferença no "Canções de Guerra". Como as músicas ficam mais lindas com piano!

Essa faixa é em inglês, e me faz concordar de uma vez por todas que a voz de Pedro Metz é harmoniosa e afinada. Falando em cantar em inglês, muito bonita a faixa do álbum "Is this indie" em que o Pública participa fazendo uma versão da música "Alone Together" dos Strokes.

A produção do "Canções de Guerra" é do Marcelo Fruet do "Fruet e os Cozinheiros". Com essas parcerias todas o trabalho do Pública não poderia ser menos interessante do que é. Guri, Pedro, Guilherme e Alexandre, fazendo a cabeça da gente pensar.

"Dei o fora no primeiro trem, mal ficava em pé, nem sentia o chão. Gente estranha que me julga sem saber de ondem vim, ou pra onde vou, desde cedo me encontro sozinho, crescendo nas ruas"


Para no minimo deitar na cama e refletir, para mudar, para agir. Porque no fundo nos sentimos tremendamente sós. Valeu Pública!


Para baixar o "Canções de Guerra" clique aqui.


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