18/04/2012

La Orchestra Invisível. "Não cai nada de certo do céu".



"Não precisa mais manter tão alto o volume da TV pra não se ver e nem se ouvir"

Quando ouvi esse verso pela primeira vez lembrei dos primeiros dias que comecei a morar só. Era eu, uma mala e uma tv. A primeira coisa que eu fazia quando chegava em casa era ligar a televisão, porque eu me incomodava demais com o silêncio, com a solidão, porque isso me conectava com coisas que no trabalho ou na universidade eu não parava para pensar sobre. Não adianta fugir de si mesmo. Depois de ouvir o novo EP da La Orchestra Invisível você vai entender melhor.

--------------------------------------------------------------------------------------


Hoje completa exatamente uma semana e meia que ouvi pela primeira vez o novo EP da La Orchestra Invisível (Loi), pelas minhas contas superficiais ouvi por 8 horas seguidas as 3 músicas do EP, todos esses dias, religiosamente.

Então você me pergunta por que todo esse exagero. Não sei.

Fui ouvindo e em cada ouvida gostava de um aspecto diferente das músicas, em especial “Sangria”, que vou fazer questão de ouvir durante as minhas férias, que finalmente se aproximam.

Larissa, Kahwage, Daniel e Cezar fizeram um ótimo trabalho, mais do que um trabalho bem executado, o “Tratado do vazio perfeito” é uma produção sensível e de bom gosto, que em sonoridade me lembra “Death Cab for Cutie”, “Elliott Smith” e “Hendrix” (em alguns solos de guitarra).

A voz de Larissa combinaria facilmente com qualquer música de trip hop, de cara já agrada, uma voz doce que combina com a mensagem transmitida pelas músicas e letras da banda. Já Marcelo Kahwage em "Capítulo IV" fez eu viajar para a época da minha adolescência que eu passava horas ouvindo "Supergrass" ou "The Magic Numbers", o refrão tem uns backvocals bem legais, é o que um amigo meu chamaria de "música da felicidade".

"Música mais Inocente" de dois minutos e dois segundos, é o tipo de música que não deveria ser tão curta assim, pelo fato de ser adorável (não sei se é um adjetivo que se usa no mundo da música rs). é melancólica, com uma sonoridade triste. Tenho o costume de selecionar músicas tristes para o trajeto do ônibus. 

Então coloco os fones e vou olhando a vida passar pela janela, me forçando a ficar triste, porque esse é um prazer secreto (que agora não é mais) que eu tenho. Ouvir músicas para ficar triste, mas não triste de verdade. Triste como quem atua por alguns segundos, como se quando eu ouvisse música eu entrasse automaticamente  n'uma vida paralela.

Na Loi todos são bons músicos, é fácil chegar a esse conclusão depois que se ouve exaustivamente o trabalho deles. Bandas como Suzana Flag, A Euterpia e Loi, tiveram/tem uma característica que adoro, letras poéticas naturais. Quando comparo a Orchestra a cantores como Elliott Smith e Jeff Buckley é porque me soa tão melancólico como e com letras marcantes, que sem música funcionam perfeitamente como poemas.

"Tratado do Vazio Perfeito" é também um nome de um livro do Taoismo, que encaro mais como uma filosofia do que uma religião, que se liga com a harmonia do homem com a natureza. O Taoismo também já ganhou espaço nas reflexões de outras bandas paraenses como "Madame Saatan" com seu famoso "Tao do Caos". Com a mesma sutileza da natureza as músicas da La Orchestra Invisível nos chegam e fazem com que sempre fiquemos um pouco mais.
“Nasci bem depois do tempo e o que era pra ser o final, passo a contar como o tal dia em que eu havia começado essa sangria".
"Vá e não olhe atrás. Mas quem diria, você não faz sentido"


Para baixar o EP clique AQUI.


Nenhum comentário:

Postar um comentário