14/06/12

Curumin e o seu "Arrocha", mais selvagem e eletrônico.




"Eu todo ar, ela é toda terra. Terra firme a me esperar"
"Vou me proteger, vou comer do amor*
 

Nascido Luciano Nakata, mas para os que fecham os olhos e colocam os fones de ouvido ele é o "Curumin".

"Arrocha" é o terceiro àlbum dele e tem a produção assinada por Lucas Martins e Zé Nigro.

Um dos convidados para esse novo trabalho foi o MC Russo Passapusso, de Salvador. Curumin gravou uma música dele chamada "Passarinho" e o MC empresta a voz para a linda "Afoxoque". Céu, Gui Amabis, Marcelo Jeneci, Ricardo Hertz e Edy Trombone também derão algumas contribuições no "Arrocha".
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"O que falta pra você é eu voar. Não tem gaiola que possa me segurar, nem o badoque do seu novo amor"

"Passarinho" me lembra dos meus primeiros amores, daqueles de criança, das tardes que eu passava na casa da minha vó e chupava aqueles flores vermelhas gitinhas, porque diziam que saía mel delas. Para quem não sabe badoque é uma espécie de estilingue. Então se prestar bem atenção na música existe uma analogia com a brincadeira de criança de acertar passarinho com estilingue.
 
Fala sobre a dor de ver quem se ama com um novo amor, mas também fala sobre ser forte, sobre liberdade. É uma canção simples, mas verdadeira. Ótima criação do MC Russo, que casou totalmente com o jeito e voz do Curumin.

Como se já não bastasse um coração cambaleante depois de "Passarinho", vem "Paris Vila Matilde" n'um embalo bonito de romance, ar urbano e delicadeza, que ao terminar se cola com "Tupãzinho Guerrero", uma batida eletrônica que parece um beatbox, lembrando as origens hip hop do artista.

Já "Vestido de prata" de Paulinho Boca me lembra Gilberto Gil e muito mesmo aqueles casais se beijando na praia, dançando um reggae agarradinho. A letra brinca com a beleza da lingua portuguesa: "Já faz muito tempo que eu não vejo ela dançar, que a gente não transa junto a mesma canção".

"Meus braços esquecem as mãos, que flutuam no vazio do ar. Os meus pés descolando a decolar. Como um balão de gás deixo para trás para nunca mais"

"Pra nunca mais" é intensa. Depois de toda a viagem eletrônica com "BlimBlim" e "Sapo cururu", ela chega calma, firme, pesada e emocionante.

"Arrocha" é um disco para ser degustado aos poucos, é necessário que se ouça as músicas em sequência, depois fora de sequência, depois ouça tudo com o grave acima do normal, e quando a gente percebe tá sentindo cada batida como se fosse parte do pensamento. 

É como se o disco estivesse esperando por nós. Arrocha é a pressão do som com o groove do corpo colado, do amor que está com certeza por toda parte.

E como despedida a última faixa "Bambora" nos deixa isso: "O melhor da vida é de graça, os caminhos estão abertos, o céu tá azul lá fora, é hora, arrocha!"

Nem é preciso dizer mais nada, Curumin acertou novamente.


Para ouvir o álbum inteiro clique aqui.
 

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