26/07/2012

Felipe Cordeiro, mais legal e ilegal do que nunca.



Li o que o pequeno texto que a revista Rolling Stones Brasil usou para apresentar novo clipe "Legal e Ilegal" de Felipe Cordeiro. Segue um trecho:

"O primeiro clipe do álbum Kitsch Pop Cult de Felipe Cordeiro traduz literalmente a letra da faixa “Legal e Ilegal”, que lista as diferentes drogas que acompanham diversos estilos musicais"

Concordo, mas acho que no final das contas o clipe, que parece simples (apenas parece) pode ter uma leitura além da literal. Viver em Belém faz a gente entender porque a mensagem de Cordeiro com a Greenvision ganha novos significados nesse clipe.

Até meus 18 anos morei em Santarém, por alguma motivo eu não me interessava por música paraense. Belém chegou pra mim como quem chega do nada, mas me trouxe muita coisa. Poderia listar todos os discos, filmes e peças que vi aqui, mas o que mais me fez dar o automergulho foi o que os estudiosos chamam de "diversidade". 

Felipe consegue passear por vários estilos musicais, brinca com a relação "tipos de drogas" e "estilos musicais", como quem nos quer dizer: "ei veja quanta coisa forma nossa cultura". E combina, não é?! 

Combina tanto que artistas como Pio Lobato e Lu Guedes conseguiram falar sobre diversidade sem necessariamente falar. Quem ouve o álbum da Lu consegue compreender a Amazônia por um novo prisma, com sons eletrônicos, efeitos do trip-hop... Arriscaria dizer que Lu Guedes é nossa Erykah Badu. 

E ao mesmo tempo que esses artistas navegam por sonoridades "aglutinadas" uma cena roqueira acontece paralelamente na cidade, não tão paralela assim, quando o Serasgum propõe ao público Laurentino e os Cascudos. Laurentino no show em que "Los Porongas" se apresentou recentemente, foi acompanhado por roqueiros como João, Eliezer e Camillo, de bandas que você com toda certeza ouviu falar (Molho Negro, Johnny Rockstar e Turbo).

Então as coisas estão e podem ser mais conectadas do que pensamos. Todas aquelas carinhas conhecidas no clipe e como elas interagem do meio para o final nos fala assim, suavemente, nas entrelinhas o quanto a diversidade faz por nós. Se para cada ritmo musical tem uma bebida, como sugere Felipe, não necessariamente devemos provar só de uma, por isso gosto tanto dos drinques, que nos dão a liberdade da mistura, das combinações.

Muito gosto ver que tudo foi pensado nos minimos detalhes, adoro como as camisas de Felipe Cordeiro combinam com o fundo e da maneira que a câmera gira fazendo a gente se perguntar qual a próxima pessoa e cena a surgir. É claro que não poderia esquecer da referência bem legal do inicio do clipe a filmes de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, não tem como não pensar em latinidade vendo referências como essas.

É isso, um clipe de alguns minutos podem nos dizer muitas coisas, basta a cada espiadela observar melhor. é como ouvir música, é preciso ouvir cada instrumento e depois ouvir tudo junto pra entender que tem quimica em tudo. Legal ou ilegal é uma linha muito tênue, eu diria que tanto a música de Felipe quanto seu novo clipe são necessários e indispensáveis. 

Veja o clipe:

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