06/08/2012

Tulipa Ruiz, pode ser e é.



Não, eu não estou afim de falar dessa vez onde foi gravado, fazer paralelos entre o primeiro e segundo disco, nem ficar dizendo que tal músico fez uma participação em tal faixa, a forma que concebi esse álbum foi totalmente emocional, então quem quiser continue, quem não quiser abandone o barco agora.


O ônibus subia a Avenida Presidente Vargas, finalmente passava pelo cemitério da Soledade e eu ali sentada com os fones pulsando nos ouvidos, para os outros eram só chiados, pra mim era o primeiro disco da Tulipa, que desceu doce, feito cura pra corações românticos e dedicados que nem o meu.

(luzes se apagam)

São 02:11 da manhã do dia 31 de julho, não consigo dormir, preciso escrever sobre o novo disco daquela que já era cativa no meu coração, ah Tulipa Ruiz, dessa vez você sacaneou com meus sentimentos (risos).

"Quando eu achar o que eu quero achar você vai saber (...) se eu me permitir sem pestanejar você vai curtir"

"Seus argumentos são demais, fala na lata, é concreta"

"Devo-lhe dizer que a vida é curta, que eu amei você e amei sem culpa, devo-lhe dizer que a minha cura é você meu bem (...) roteiro do meu gibi"

Não aconselho ouvir o disco na sequência exata, deixe no aleatório para perceber que cada combinação dará a você uma perspectiva interessante da Tulipa que voltou mais audaciosa. Em alguns faixas ela abusa dos agudos, mas com equilibrio. Sua fórmula pop contrasta com faixas estranhas para os não habituados.

Essa semana li o comentário de uma amiga dizendo que vê a Tulipa como a Gal Costa dessa geração, não tinha pensado por essa perspectiva, mas prefiro não comprar essa ideia, apesar de achar uma semelhança se tratando da surpresa e um certo cheio de cativar que ambas tem. é seguro e recomendavel ouvir o "Recanto" da Gal Costa logo após de ouvir o disco novo da Ruiz. Alguma coisa entre eles dialoga.

Li um texto falando sobre o disco que dizia que a música "Script" era a menos sedutora do disco, engraçado, ela é uma das que mais me seduziram seguida de "Vibora" (que sexy é essa música).

Me senti com oito anos embalando na rede sem cuidado algum de cair, vendo a grama, o meu cachorro correndo, me deu tanta saudade dele. Lembrei do meu primeiro amor e do primeiro gibi que comprei com meu dinheiro. Lembrei da minha primeira transa, lembrei de toques que nunca esqueci, revivi tudo de gostoso com esse disco.

Talvez a nova Tulipa Ruiz seja dividida em dois lados, um mais pop que chega ao coração bem mais rápido e um que tem que ser digerido aos poucos. Contado que o disco foi lançado no dia 30 de julho, receio que é bem pouco, mas pouco mesmo pra se fazer uma crítica que essa ou aquela música "não funcionam".

Queridos críticos,detentores da verdade absoluta, o que é funcionar pra vocês?! Se um disco consegue me fazer pensar na vida, nas minhas expectativas, amores, se simplesmente gasto um tempo da vida, que passa tão rápido, para escrever sobre, para mim ele funciona.

É preciso amadurecer a audição, é preciso estar mais aberto pra entender que dessa vez Tulipa quis experimentar, quis voar mais alto e que essa brincadeira de fazer diferente em cada faixa que torna "Tudo Tanto" uma unidade cuja medida é o querer bem.

Baixe o "Tudo Tanto" aqui.

Um comentário:

  1. Por isso prefiro as descrições de sensações a qualquer crítica milimetricamente calculada...rs. Tulipa é um misto do que ela quiser e ainda vai dar muito mais o que falar. Tipo Cícero, por exemplo.

    Só queria um link pro disco...Esse parece inválido.

    Ótimas idéias!


    Erika.

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