24/09/2012

Dia de ver o céu de Marcel Barretto.



Hoje eu parti o céu e dividi em dois pra mim”

Um minuto e trinta e quatro segundos, é exatamente nesse ponto de “O céu em dois” que facilmente se consegue viajar para dentro de si sem que se perceba, sem restrições ou permissões para isso. Poderia dizer que me lembra Paulinho Moska, Lenine, Pélico e Vitor Ramil, mas acho que pelas músicas do Marcel Barreto uma comparação é melhor ser deixada para o final deste texto. Esse novo som que chegou a quase um mês aos meus ouvidos me acompanhou nas viagens de ônibus, nos tropeços das calçadas e quando eu simplesmente quero viver em um mundo diferente.

“O céu em dois” nos provoca com uma sonoridade pop dançante, mas que diferente de alguns pops que vemos por aí nos indaga. Passei algum tempo tentando refletir sobre a frase “O que é a solidão e do que ela vai nos proteger?”. Marcel faz a gente analisar o conceito de solidão, enquanto muitos acham que ela é proteção cada verso da canção leva o ouvinte a compreender que optar por estar só é optar “às vezes” pela não experiência do mundo.

A solidão pode nos proteger “de um passeio a dois, uma lua a mais”.

Enquanto flashs de filmes passavam na minha cabeça o som da bateria acompanhava a voz harmoniosa de Marcel Barretto, que chegava em boa hora na minha vida e tenho certeza que chegará na hora mais que certa da de vocês, porque simplesmente toda hora é hora para ouvi-lo.

Já vejo as meninas de cabelos longos queimados pelo sol correndo na praia sendo filmadas por uma câmera V8, que deixa tudo com cara de instagram. Elas correm e sorriem ao som de “Quem é ela”, uma música feita para as mulheres soltarem toda sua feminilidade e para os rapazes presentearem suas pretendentes, ao som da praia, quase no dormir do sol.

Então finalmente tive a experiência de ouvir “Vou esperar” e por algum motivo tive o mesmo frenesi de um ano atrás quando ouvi “Deixa eu me perder” do Vitor Ramil. Talvez o som de Marcel Barretto tenha me conquistado de cara porque assim como Vitor Ramil ele consegue falar sobre amor de uma forma aglutinada com a vida, ambos não falam desse sentimento como algo clichê que só existe para a alma masculina em ficção.

Falar com propriedade do amor não se aprende em escola alguma. A sonoridade das músicas de Marcel acompanham as letras como se elas já existissem perfeitas uma na outra desde sempre. Como se fosse um casal copulando pela primeira vez na dose ilusão do para sempre. Coisa rara.

Vou esperar tu encostares em meu peito e teres vontade de dormir da mesma forma como eu me aconchego nos seus abraços e nossos olhos se enxergam tão de perto (…) como se essa fosse a minha prece, meu caminho para o céu, minha salvação”.

São músicas que falam sobre esperança, sobre encontros e se prestar bem atenção a palavra “céu” aparece aqui e ali, como se o artista acreditasse, ao menos nas músicas, que existe uma relação dos sentimentos com as coisas da natureza. Cada solo de guitarra das músicas é a oportunidade do ouvinte rasgar as nuvens ao voar, mesmo que só dentro da própria mente.


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