16/10/2012

O amor em forma de céu da Mari Jares.



Faz mesmo um tempão que não escrevo para o blog, foram muitas noites chorando e sentindo falta da minha vó, que partiu no último dia 25. Então como ela era artista plástica e tinha o maior amor por pintura e fotografia, decidi falar sobre isso, mas tinha que ser alguma coisa que tocasse meu coração de verdade, que fizesse eu acreditar na vida com beleza, que me desse paz, mas não a paz que se conforma, mas a que reflete. Então lembrei da Mari Jares.

Não lembro quando conheci o trabalho da Mari, mas lembro de andar na rua e ver em alguns lugares os "Stickers" dela com carinhas de bichinhos e ficar babando olhando os desenhos dela, que me inspiraram muito a desenhar alguma coisa e continuo até hoje rabiscando minhas coisinhas.

Os desenhos da Mari eram como se eu fosse criança de novo, sempre gostei disso, e aqueles bichinhos e caveirinhas coloridas dela me faziam sorrir quando eu mais precisei. Mas o trabalho da Mari não é só em desenho, a menina é uma espécie de palha de aço das artes, acho que se eu der um copo, e um palito pra Mari ela transforma em arte.

As fotos dela também não perdem para os desenhos, de fotograma em fotograma tem um mundo daqueles que dá vontade de morar, sabe como é?! Uma vez a Mari fez uma exposição com os artistas Douglas Caleja e a Flávia Bassalo, ela entrou aqui e me deu um grande abraço, pena mesmo que não escrevi aquela matéria, mas por ser fã da Mari talvez eu não seja a pessoa mais recomendada para escrever sobre ela em qualquer ocasião que seja.

Então você repara que nas inúmeras fotos que a Mari fez do céu a gente se sente meio abalado, pelo menos eu me sinto, em perceber que esqueço de olhar o céu, olhava mais quando era criança quando era importante saber que bichinho era cada nuvem. Também imaginava que se conseguisse tocar o céu eu ia descobrir todos os segredos do universo. Olho pras fotos da Mari e lembro de quando eu acreditava no maravilhoso e mágico pé de feijão.

Esse é o papel do fotógrafo, capturar um momento que simboliza um mundo que de tão irreal é real para cada um de nós. Aquele céu da Jares já se modificou, mas o que ela criou a partir dele me modificou e tenho certeza que olhares mais atentos também terão esse prazer da modificação.

Tem uma foto que eu gosto muito que mostra uma escada em forma de espiral e no buraco que se forma no meio parece ter uma força que pede pra gente pular, mas não é uma ideia de suícido que tenho ao dizer isso, é que me lembra do apartamento da minha vó, que eu olhava quem tava lá embaixo me esperando pra brincar ou quando meu pai buzinava pra me buscar porque tinha aula no outro dia. Também me lembrou quanto foi duro descer aquelas mesmas escadas sabendo que nunca mais eu iria subir por elas novamente, porque a minha melhor amiga tava morta. As escadas que a gente sobe em busca do amor, para entregar trabalhos, as escadas que a gente desce pra fugir do que não se quer e as escadas qie nos dão vertigem e medo como tantas coisas na vida.

Então tenho certeza que depois de você conhecer o trabalho da Mari vai ficar se perguntando porque demorou tanto pra reparar que o que passa somos nós e não o tempo. O que vale são os momentos, e isso ela sabe captar com excelência. Valeu Mari!

Pra quem quiser conferir toda essa beleza só clicar aqui.

2 comentários:

  1. que surpresa linda essa de acordar e encontrar isso aqui. saber que servi de inspiração, de objeto de recordação e, porque não, afago em um momento difícil pra ti, é muito pro meu coraçãozinho! <3
    entre tantas coisas que amo fotografar, o céu (só vale se tiver nuvens, hein) com certeza tá no topo da lista. talvez por ele nunca mais ficar igual ao daquele momento, talvez por nos possibilitar de ver coisas nos formatos das nuvens fofinhas, ou talvez só pelo simples motivo de que eu sempre quis morar em uma nuvenzinha.
    obrigada por isso aqui. obrigada mesmo <3

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  2. aah cara nem precisa agradecer, é tudo muito verdade e teu trabalho é lindo (:

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