20/01/2013

Entrevista com Chips Kiesbye e a viagem da Turbo para a Suécia.


Dia 24 de janeiro a Turbo viaja pra Suécia para gravar o novo disco por lá com a produção do Chips Kiesbye, bati um papo com o cara e aí tá o resultado. Enjoy! 




"Hi Monique
Here are some answers
Best wishes, Chips".


Sabemos que a expectativa da banda é grande para trabalhar com você, mas e quanto as suas expectativas? O fato da banda cantar em português pode ser um problema nesse processo?

Sei que nós vamos fazer um grande disco. A banda tem boas canções e toca bem, então o que iremos fazer é tirar o melhor deles. Nunca trabalhei com uma banda brasileira antes, mas a música é algo internacional, então acho que vamos nos sair bem, o fato deles cantarem em português não é um problema. Eu não entendo nada de português, mas quando você ouve uma música consegue perceber se o artista está cantando com paixão ou não. Eu costumo ouvir muitas bandas que não cantam em inglês.

Qual é o maior desafio quando você produz uma banda?
O principal desafio é descobrir como tirar o melhor proveito da banda. Todo mundo é diferente, algumas pessoas precisam de um certo encorajamento e outras precisam mesmo é de um belo chute no traseiro. Geralmente se leva alguns dias para descobrir a personalidade da banda. Também é importante criar uma atmosfera para que a criatividade aconteça, não é tudo sobre música. Às vezes você precisa ter um bom jantar ou sair na noite, ver gente. Fazer um disco pode ser muito divertido.


Que percepção as pessoas aí tem em relação ao rock brasileiro? Você acha que a internet pode ajudar as pessoas se conhecerem melhor musicalmente?

Não acho que as pessoas na Europa saibam muita coisa sobre o rock brasileiro, ele provavelmente pensam que tudo é samba como Astrud Gilberto. A internet é um ótimo meio para expandir os conhecimentos musicais, tenho ouvido ótimas bandas brasileiras por causa da internet, como: Os Mutantes, Sepultura, Lixomania e Agentss.


Qual foi sua surpresa quando recebeu o e-mail dos meninos da Turbo?

Não foi uma grande surpresa, porque eu recebo um monte de e-mails para produzir bandas de todo o mundo. Mas geralmente não é possível realizar o projeto por causa das longas viagens e dos gastos. Mas fiquei agradavelmente surpreendido quando a banda disse: "Ei, nós estamos indo", porque eu realmente gosto do som deles.


Quais artistas que você já produziu que te trazem recordações do tipo “caramba, isso realmente ficou demais”?

Só trabalho com bandas que eu realmente gosto, então não tem gravações que no final eu não goste. Porém, algumas coisas vem com uma emoção extra. Tiveram algumas bandas que trabalhei que realmente foi um prazer trabalhar, como: The Hellacopters, Millencolin, Paul Collins, Crucified Barbara, Bonafide, The Nomads, The Centerfolds, Versus You, La Secta, The Billy Pilgrims, Captain Murphy, Dozer, Kitto, Bad Man’s Jam e outras que minha memória falha não conseguiu lembrar agora.


Quais os sons que você tem escutado ultimamente?

Sou um colecionador nerd, acho que tenho até discos demais. Então, eu escuto um monte de coisas de toda a história do rock. Se eu tiver que escolher uma banda que sempre esteve comigo é Ramones! Mas eu também amo Little Richard, Chuck Berry, The Beatles, Rolling Stones, The Kinks, Stooges, MC5, Hawkwind, Black Sabbath, Red Kross, The Posies, Buzzcocks, Sex Pistols, Nirvana, White Flag, Teenage Fanclub, Big Star, Soundgarden, Sham 69, Germs, Suicide Commandos. A minha lista é eterna.


O que você diria para aquelas bandas que tocam em garagens e sonham com a fama?

Continue focado em fazer boa música, já tem porcarias demais por aí. Mesmo se vocês não se tornarem a maior banda do mundo devem fazer músicas que viverão para sempre. Eu deixei meu antigo trabalho em 1985 e nunca olhei para trás, segui com a música. Jamais me arrependi dessa escolha.

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