16/01/2013

Natália Viana e a moda de um jeito que a gente não costuma pensar

Quiquiriqui


Já diria Peirce, os significados das palavras crescem com o tempo. O significado de “cultura” foi ficando gigante na minha cabeça, o que antes era só literatura e música se estendeu a variadas formas de expressão. Afinal, a cultura está em quase tudo e se confunde com a arte. Quando as duas se encontram descobrimos indivíduos que nem a Natália. Em Belém do Pará.

Foi quando eu ainda era caloura e usava roupas que nada falavam sobre mim que conheci a Natália Viana. Ela estudava moda, geralmente a gente se falava só pela internet, a marca “Quiquiriqui” dava seus primeiros passos, ainda tímidos. Sempre muito sensível em suas criações, imaginativa e pró-ativa, ela fazia a gente perceber que moda poderia ser leve, cheia de identidade, mas sem ar ditador.

Passamos e amadurecemos junto com o tempo, de certa maneira eu já tinha alguma compreensão de que a roupa era bem mais do que coisa de menina rica, porque eu não sou rica e nunca me senti triste por não poder comprar roupas caras.

Natália Viana


A roupa serve para proteger o corpo e como muleta para o pudor, mas há muito mais nela. É claro que não estou aqui para dizer que cada um deve usar o que se sente bem, isso é óbvio, e esse conselho seria como subestimar a sua inteligência leitor.

A roupa é na verdade a terceira linguagem primordial (este é um conceito meu, então não o tome como a única verdade). A primeira são os gestos, imagine quantas coisas podem ser ditas através deles, um toque nas mãos seguido de um olhar fixo e um sorriso tímido diz coisas que a segunda linguagem pode não conseguir transmitir. A fala, eis a segunda linguagem, que dá nome e significado para cada objeto e sentimento, vivo ou morto. Por fim, a roupa. Ela é a terceira linguagem, através dela a gente lê uma parte de cada pessoa, mesmo que nem sempre a capa corresponda ao conteúdo do livro.

Quiquiriqui


Pela manhã enquanto estou no ônibus sempre fico olhando para os moradores de rua. Homens dormindo na calçada da Presidente Vargas, com roupas sujas, mas parecendo bichos e pessoas de ternos passam por eles, como uma ironia da vida, do mundo da vestimenta. Roupa pode ser bem mais do que você pensa.

A Natália usa nas roupas rendinhas, estampas coloridas, geralmente ela produz vestidos. Roupas românticas, cheias de feminilidade, que me lembram da Audrey Hepburn sentada na janela cantado “Moon River” e sonhando com um mundo paralelo. Até mesmo as fotos transmitem essa ideia romântica, apresentando as peças com modelos ao ar livre, com muito colorido e alegria.

A estilista resgata o tema infância sem ser infantil, mostra a feminilidade sem ser agressiva. Natália faz a arte do equilíbrio, do bom gosto e consegue levar sua mensagem para as garotas independentes, mas que ainda em atitude romanesca passam algum tempo lendo na estação das docas ou tomando um sorvetinho na Cairu.

Site da loja virtual da Natália: http://www.quiquiriquiloja.com/

2 comentários:

  1. Estou realmente muito emocionada com teu texto. Que lindo, Monique! Muito obrigada!

    Sabe, não sei bem como explicar, mas é sempre complicado para mim quando preciso escrever sobre o meu trabalho, sobre o que eu realmente sinto... é estranho, é algo que parece que só sei sentir, traduzir nas roupas e imagens (haha). Daí vem você, uma das poucas pessoas que conseguiu colocar em palavras um pouco do que eu realmente sinto em relação ao que faço, sem precisar com que eu tivesse que responder perguntas ou algo do tipo.

    Muito obrigada! É uma honra ter a tua opinião. Gosto demais da forma que você escreve! <3 <3

    Beijão e sucesso!!

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  2. ouuun muito obrigada, emocionada fico eu (:

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