25/01/2013

Strokes e a decepção




O tempo é a força que me causa mais espanto. Ele constrói, mas também tem muito do caos. Passaram-se doze anos desde o lançamento do primeiro disco dos Strokes, doze também era a minha idade quando ganhei o “Is this it”, lembro de tocar o disco no meu aniversário de 14 em um som gordinho dos meus avôs, lembro dos meus tios reclamando que era muito barulhento e soava mal.

Tínhamos a vida toda pela frente, bebíamos escondidos, eramos os jovens da geração dois mil, já tínhamos computador e internet, mas ainda trocávamos discos e passávamos a tesoura no jeans, liamos o livro da capa preta de São Cipriano e mentíamos muito para os nossos pais para ver shows de rock.

Um amigo chegou na minha casa com o disco dos Strokes e disse: “Nique ouve essa banda, eles são simples, tem atitude, tô viciado neles”. Eu que nunca tinha nem beijado na boca vi o clipe de “Hard to explain” e achei aquela pegação no elevador a coisa mais sacana do momento. Julian com a voz rouca e meio descuidada soava de forma diferente, Albert era e continuou sendo meu favorito por muito tempo, ótimo músico.

Nas primeiras festas que fui sempre que tocava Strokes eu me sentia mais jovem do que era, eu tinha consciência de que não era a melhor banda do mundo, até porque eu já ouvia outras coisas como The Smiths, Velvet Undergroud, The Doors e Mutantes. O caso é que os Strokes eram da minha época, eles pareciam com meus amigos ou meus amigos se pareciam com eles, sei lá. A gente baixava os shows, se reunia, fazia pipoca e era como se fosse um filme de ação, era pulsante e impactante pra galera da nossa idade.

Eles eram os caras que nos diziam “promessas, elas são quebradas logo depois de serem feitas”, não eram letras e músicas que mudariam a história do mundo, não eram como as músicas do Bob Dylan de 75, mas elas falavam da nossa vida, de estar com os amigos, de pensar em alguém que se gosta e quando tava tudo “fudido” você podia pegar uma cerveja e ouvir um som. "Is this it" era tipo: é isso aí, sou jovem e não tô ligando muito para as coisas.

É claro que o tempo, o mesmo com o qual começo esse texto transforma tudo e as pessoas se transformam junto com ele, as bandas traçam novos sonhos e desafios, começam cantando em uma praia e acabam vestindo uma camisa rosa choque cantando com a Rihanna, acontece. Outras nos surpreendem, antes cantavam emocore e do nada lançam um bom ep de metal. Alguns vão chamar de preconceito e falar que nós os insatisfeitos somos odiadores e somos preconceituosos com mudanças, mas pera lá maninho! A nova música dos Strokes (One Way Trigger), nos mostra uma banda afogada em querer se adequar a um cenário que nos dá bandas descartáveis, que hoje tocam em festas e só servem para deixar as meninas de 17 anos mais soltas com dois ices. 

Não é porque parece ou lembra tecnobrega que não me agrada, até porque She Wants Revange também tem seu “tecnobrega” e é muito bom. Não vejo tecnobrega. Não me agrada porque você não ouve a voz rouca do Julian, porque ele mergulhou em uma fixação pelos falsetes, o som dos instrumentos soam como uma barulheira sem sentido, a tentativa é de parecer com a música eletrônica oitentista, mas acaba soando pior que o line-up desses festivais que todo mundo finge que conhece as bandas.

Então os Strokes acabam por escrever na história musical o atestado de decadência. Como compreender que as guitarras sujas de Albert, a bateria repetitiva, mas legal do Fab e a voz rouca do Julian sumiram?! Como conceber que as mesmas pessoas que cantavam “New York City Cops” gravam “ One Way Trigger” se olham e dizem: do caralho essa música!

A única coisa que consigo imaginar é que os Strokes não nos querem mais como fãs, mudaram em tudo assim como uma mulher muda quando quer atrair um tipo diferente de homem. Pensei que as bandas só acabassem quando viesse o anúncio: “olha galera foi bom, mas a banda acabou”. Não leitores, uma banda também acaba quando nada mais restou do que ela era, quando o último suspiro de rock ficou pra trás, então desliguem a luz e fechem a porta, porque essa porcaria não é Strokes.

A nova música dos caras: http://www.youtube.com/watch?v=jj6MJDpfjFA

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