08/02/2013

"Avens" e o amor súbito por bandas.



Nunca compreendi porque as segundas são tão odiadas, talvez porque se volte para o começo de um ciclo de rotinas das quais não se goste, mas eu curto as segundas com suas inércias e surpresas. Em uma marginalizada segunda-feira conheci a banda que foi assim amor de primeira, como aquele tesão que chega mais forte para os desconhecidos, como o sexo que não pode ser adiado ou o livro que a única vontade é virar as folhas da direita para a esquerda. Tenho pressa. Sempre tive.

O disco começa com alguma língua estranha, que me parece ser uma gravação ao contrário, como se fosse a fala de um ritual, de quem quer evocar alguma coisa, como aqueles rituais  gregos. Então a guitarra que lembra algumas músicas de metal começa. Como uma metralhadora embarca em um clima mais grunge, confirmada pela entrada do vocal. A guitarra, ainda pesada, continua ao fundo junto com o interessante vocal, que me lembrou o melhor disco do Silverchair, o "Frogstomp" de 1995, em especial a música "Israel's Son" que também tem essa guitarra, que costumo brincar chamando de metralhadora. Assim a "Avens" nos apresenta a faixa "Holy Insanity", que na primeira ouvida soa como a queridinha do disco.

Em seguida "Sweet Rouse" me transportou para uma época da minha vida que eu ficava olhando para o professor de Química falando enquanto ouvia escondida a Mudhoney. "Let it Slide" na época soava a coisa mais subversiva do meu mundo, lembro que o clipe dessa música era meio naquele clima sujo que o Sonic Youth trouxe à tona e acabou influenciando bandas como Nirvana. 

"Avens" me soou tanta coisa da minha formação musical, que é óbvio o porquê da identificação súbita, não percebo que soe parecida com algumas bandas propositalmente, pelo contrário, a banda soa muito natural para mim. Eu tenha essa atração por traçar paralelos, não que se trate de uma comparação desmedida ou irresponsável. Sempre tive essa relação de rememorar, de falar: "ah, esse disco me lembra esse!", não para julgar um melhor que o outro ou tratar tudo que é produzido na geração dois mil como mera cópia. 

O grande "barato" da música não é ela soar o mais inovadora e única possível (isso é uma parte da surpresa, é claro), esses são conceitos complicadíssimos de serem alcançados. Afinal, os alcançamos em sua plenitude em algum momento? Não sei. Para mim música é sentimento acima de todos os outros elementos, que não são menos importantes. Lembrei de quando entrevistei recentemente o produtor Chips Kiesbye e ele disse que uma música tem paixão ou não, isso é o que primeiramente define a qualidade dela. A técnica pode ser aprimorada, mas e a paixão, de onde vem? É o questionamento que procuro me fazer toda vez que ouço um disco.

Então chega "Before you get mad", uma faixa rápida, que soa como uma nova introdução, uma linha divisória no disco, quando ele começa a ficar mais interessante e mais trabalhado com músicas como "Avoid Me", que soa tão gostosa, como aqueles dias que coloco a discografia do Soundgarden e penso na vida como uma extraterrestre ou uma jedi. "Avoid Me" não tem pressa de começar, mas também não tem uma introdução demorada, e que bela linha de baixo acompanha as músicas do disco. É mesmo uma surpresa me deparar com essa banda dentre os acontecimentos atuais da minha vida, mesmo achando que qualquer momento é o momento para conhecer a "Avens".

Já a faixa "Beautiful Garden" com um vocal grunge aqui e ali lembra a maravilhosa "Spoonman" do Soundgarden, mas ao mesmo tempo tem toda a vitalidade e agressividade que o metal proporciona. é uma faixa que me encanta sem fazer muito esforço para isso. 

"Avens" apresenta um disco maduro, que causa impacto pela qualidade, pela sintonia que a banda transmite ter e arrisco dizer que facilmente cativará um público mesclado que curte diferentes vertentes do rock, pela qualidade quase inquestionável  já que se tratando de música nada é unânime. 

Para completar a faixa "Peace of a Moment" é uma surpresa do disco, como se fosse uma outra face de alguém que se mostrou agressivo e obscuro, mas é para além disso.

Comparações podem ser feitas, mas ainda sou barroca a ponto de dizer que rock é rock, isso ninguém pode mudar. Ainda sei reconhecer quando uma boa é boa (ou pelo menos acho que sei), mas se você duvidar dessa afirmação basta me mandar para bem longe, ouvir o disco e tirar suas próprias conclusões.


Clique aqui para ver o clipe de "Holy Insanity".
E aqui para baixar o disco da banda.
Para conferir o soundcloud deles basta clicar aqui.

2 comentários:

  1. Muito bom como sempre, Monique! Lindo texto. Gosto muito do Avens. Não sei se tu conheces as músicas antigas, mas a música deles que eu mais gosto se chama "Afraid in peace". Se esse disco novo te lembrou o Silverchair, vais lembrar mais ainda ouvindo essa.

    Dá pra ouvir pelo tramavirtual deles http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/avens

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    1. Taí Eric, não conhecia, obrigada pelo elogio e pela dica, vou ouvir sim. (:

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