13/02/2013

Uma crônica que era para ser sobre sacanagem (era)


Hoje me deu vontade de postar uma crônica que fiz sobre uma mulher que pode existir em algum lugar, só não sei em que lugar. Para ler com essa chuva gostosa que tá caindo hoje.

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Ainda está nas pontas dos meus dedos aquele cheiro implacável de vem cá que eu te quero. Depois de tanta mistura entre nós não sei mais a quem devo me referir. Somos tão similares. Aperto seus dedos os forçando a se encostarem uns nos outros, vejo que existe sangue dentro de você. És tão vivo quanto os beijos que trocamos.

Te vejo assim como um vegetal desprezado. Melado. Comível de olhos fechados, apenas. Misturado a tantas outros sabores ficas mais "desse jeito que eu gosto". Te dou uma garfada violenta. Escorres pelo canto da minha boca e soa meio nojento para quem não entende do clima. 

Tento ignorar tua presença quando está dentro de mim, mas é impróprio, até para eu mesma, ignorar que tua carne é saborosa. 

Nossas pernas nadam em direção ao cume, que ninguém sabe se é Deus em forma de olhos revirados ou se é o dia em que todo inferno fica na temperatura certa, para que absolutamente tudo ultrapasse do ponto. 

Só sei que nossas pernas nadam e percebo que minha respiração ganha um ritmo diferente, que entro no tempo que não é meu. É só mais um tempo, desse que a gente cria para regular tudo, inclusive a gente.

Enquanto tu desces e sobes, percebo teu esforço e me dou conta que teus pensamentos estão focados em alcançar aquele precioso momento em que as pernas se contorcem para dentro, mas eu não. Estou ali sentindo cada pedaço, projetando nossos encontros passados, criando expectativas ou pensando em não as criar, mas só de pensar elas já existem e são malditos elefantes enormes. 

E se passa pela minha cabeça leviana que não me amas, então faço um rosto de paz na terra e deixo com que tu penses que eu simplesmente só quero receber teu pau. E quando tocas nos meus seios eu compreendo que nada existe além de incertezas. Afinal nada parece nos satisfazer, então para isso existe o que estamos fazendo agora.


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