05/03/2013

Conto de cabines e desejos

Hoje é terça e deu vontade de escrever um conto, então lá vai:


Miriam tinha um vida sexual chata, na verdade era praticamente inexistente, há muito não gozava, nem mesmo se depilava ou batia uma siririca. Reclamava ela de que a falta de uns socos no útero fossem porque seu nome parecia nome de mãe. Ela tinha uma ideia fixa de que a escolha equivocada dos pais pelo nome "Miriam" fosse a grande causa de não ser frequentemente comida.

Sônia, sua amiga mais chegada, na contramão da secura de Miriam, era uma espécie de marmita, andava pelos móteis da cidade, era parte dos lençóis lavados de hora em hora, com cheiro de sabão em pó barato e restinho de gala. Fora de controle, Sônia não conseguia dormir sem dar, era um ritual da pequena. 

Não era prostituição sua profissão, era vendedora de uma loja chique no shopping do centro da cidade. Enquanto atendia as clientes sempre olhava para os maridos que ficavam sentados em um puff no canto da loja esperando. Sônia sentia a dita pulsar quando via um grisalho mais saradinho, enquanto atendia a cliente se imaginava de quatro para o marido da "otária", coisas de Sônia.

Miriam e Sônia eram amigas desde o colégio, ambas gostavam de filmes de terror, comer chocolate com o dedo, passar a madrugada conversando sobre discos, apesar de Miriam gostar de Simon and Garfunkel e Sônia preferir Television. Algumas vezes Miriam se pegava fitando as pernas da amiga, olhava para as buchechas do bumbum dela, mas não era inveja, era uma vontade de pegar, fazer carinho. A ideia era quase um cometa, e passava rápido, bem rápido.

Foi com Sônia que Miriam aprendeu a dançar de forma sensual, foi em uma ocasião em que tocava "Friction" do Television e as duas estavam loucas de vinho do pai de Miriam, que nunca parava em casa. Ele era um homem de quase 50 anos, dono de uma empresa de cosméticos, que criou a filha sozinho depois da morte de Julieta, mãe de Miriam. Tinha os cabelos grisalhos e adorava tomar uma mistura de chá de camomila com vodka, falava sempre o necessário e era tão reservado que nem a diarista lembrava do tom de voz dele.

Haviam dias em que o movimento no shopping era fraco e em dias assim Sônia ficava mais afim de trepar, a calcinha chegava a molhar pedindo por um pau, ela imaginava desde a cabeça até a base, entrando e saindo dela, com aquele movimento que as cozinheiras fazem com o ralador de cenoura. Foi sedenta para um provador de roupa da loja, levantou um tiquinho a saia tubinho, afastou a calcinha e começou a esfregar o clitóris, que mais parecia uma linda couve-flor. Ela imaginava atores, o chefe, o cara do cafezinho, o marido da irmã dela, o primeiro namoradinho. O que não faltava era pau para imaginar.

Ao mesmo tempo que Sônia quase gritava abafado com vontade de gozar gostoso e já via os primeiros sinais de polenguinho em seus dedos, Miriam coincidentemente tinha saído para comprar um vestido e teve a ideia de comprar na loja onde Sônia trabalhava, afinal de contas, era uma forma de ajudar a amiga. 

E mais coincidências aconteceram, como eram extremamente ligadas na proporção que tinham comportamentos diferentes, Miriam escolheu justamente o provador em que Sônia dilacerava e mandava ver na esfregação da xota. Ela entrou rapidamente, fechou a cortina de novo, sentou no pequeno puff de dentro do provador e Sônia que já tinha visto Miriam (é claro) não parou a masturbação, com toda a delicadeza, que parecia de cara não ter, carregou um pouco do seu líquido de mulher até a boca de Miriam usando o indicador, também usado para apreciar as beiradinhas das caldas de pudim. 

Então Miriam se ajoelhou e beijou Sônia na parte mais quente e molhada do momento, ficaram totalmente nuas, silenciosas como duas leoas em plena caça, ninguém suspeitou do que acontecia naquele provador, as coroas ainda escolhiam os vestidos cor de abacate e os maridos ainda estavam ali na espera. Enquanto o bico do seio das duas se encontrava, e Miriam ronronava vez ou outra, Sônia apertava o pescoço da amiga como se fosse matá-la, e Miriam gostava. Todos esses anos ela queria morrer, ao menos em gozo ela queria.

Foi então que de repente tudo ficou extremamente escuro e Miriam sentiu uma pancada na cabeça, em dois segundos percebeu que estava apenas sonhando, acordou atordoada e foi até a cozinha refrescar a garganta, talvez tivesse sido um sonho revelador, talvez ela tivesse que falar para Sônia o que realmente queria, ela queria foder, ela queria a amiga, sempre quis. Enquanto matutava a resolução, se aproximava da cozinha e os gemidos aumentavam, talvez ela estivesse vivendo uma metaliguagem, um sonho dentro do outro, mas era tão real quanto suas mãos agora geladas. 

E Sônia deitada na bancada da cozinha gemia como se estivesse morrendo seus seios médios pareciam dois abacates amassados, que poderiam ser tão verdes de tanta imaturidade e como se mexiam, enquanto aquele homem de cabelo grisalho a comia delirante sem ao menos olhar para o rosto dela. Miriam olhou o copo de chá com vodka ainda cheio do lado dos dois, deixou escorrer uma lágrima e voltou para a cama em silêncio, talvez ainda houvesse chance de voltar para o sonho de onde ele tinha parado. 
   

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