25/03/2013

Os Vizinhos de Barbara Allen e o poder de uma gaita.



Dizem que não se deve prometer. Quando esse blog começou não prometi nada nem para mim e nem para vocês, até porque não sabia se haveria um vocês do outro lado, não tinha ideia se além do meu irmão, que lê tudo que eu escrevo, alguém leria até o final com prazer meus pensamentos. 

Eu tinha medo, mas era um medo de que você aí do outro lado da tela não sentisse o que eu sinto, que não compreendesse meu coração através das minhas palavras. Continuo vez ou outra relendo os textos deste blog de apenas um ano e meio de existência, e continuo achando que preciso aprender muito mais, que ainda não cheguei nem perto de conseguir traduzir em palavras as belas obras das pessoas que me inspiram.

E inspiração é como aqueles grandes amores, daqueles que você só de ver sabe que seu coração não conseguirá ficar imune. Não foi de primeira que a vontade de escrever sobre "Os Vizinhos de Barbara Allen" veio, talvez ultimamente eu tenha evitado me apaixonar por bandas novas, mas eu não tomo jeito, e depois de ouvir "Aline e Canções de Abril" mais de 10 vezes seguidas (sim, eu contei), percebi que é uma banda para gente usar como trilha sonora para viagens, para momentos solitários ou para empunhar um violão na sacada de casa. 

"[...] vive na rua, corre pro centro da lua, ouve no rádio o cantor da moda, de repente ela chora a falta de um carrossel [...] eu sou criança, mas isso não importa, agora quero de volta um pouco de calor"

A história da música folk nos mostra que o que move o coração de um artista desse genêro é principalmente a vontade de cantar a própria geração, é marcante a presença da linguagem mais poética nessas composições. Hoje parece ser natural dizer que se faz música folk apenas porque a banda tem um violão ou uma gaita, mas é preciso ir além. 

Então você pode me perguntar porque uma única música rende um texto e uma análise mais cuidadosa?! De apenas uma música pode sair uma tese, um filme ou nascer um grande amor, isso simplesmente responderá sua pergunta, se você pensou em fazer. 

"Os Vizinhos de Barbara Allen" nos apresenta uma canção, que além da voz grave e ao mesmo tempo meiga de Erika Silva, consegue fazer um solo de guitarra que lembra um pouco Blues, quebrando de repente a calmaria da sonoridade folk. 

Sonoridade essa anunciada desde os primeiros segundos com a gaita chorona, que consegue dar uma dica que a história em seguida é melancólica como o choro do próprio instrumento. A triste gaita soa como a extensão do enredo da Aline, menina de rua que quer viver a infância e que no fundo precisa essencialmente de amor.

"[...] dorme no banco, sonha um dia ter um cobertor ou qualquer mão que se estenda. Aline sente pena de quem não sente amor"

A primeira amiga que tive de verdade se chamava Aline, sempre achei que esse era um nome mágico. Não tem como não chorar pensando que enquanto temos um lugar quente e vontades por vezes tão bobas, "Aline" está por aí com a barriguinha funda e com uma fome de doer, esquecendo que é criança, sem saber o que é ser amada. Música é mais que alguns acordes, deu para perceber?!

Outra coisa que me encantou, me capturou mesmo, foi o nome escolhido para a banda. "Os Vizinhos de Barbara Allen", fazendo alusão a canção "Barbara Allen" que na minha opinião ganhou a melhor interpretação pela maravilhosa Joan Baez. Estou ansiosa para ouvir "Alice e Canções de Abril" ao vivo, assim como estou ansiosa por abrir todas as minhas pastas de folk, porque a alma da gente precisa se alimentar, sabe como é?!

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