26/06/2013

Relatos sobre o protesto da última segunda (24) do Movimento Belém Livre



“Eu estava andando com um amigo pela calçada e do outro lado tinha um grupo de quatro pessoas, eles estavam caminhando lentamente, saindo do confronto mesmo, então a ROTAM apareceu e jogou a viatura em cima deles, na calçada mesmo. Dois policiais saíram apontando a arma para o grupo e gritando coisas como ‘Corre, filho da puta. Quem ficar vai levar bala!’, nessa hora eu corri pra Óbidos desesperadamente”, conta Arthur Montenegro.

Arthur é uma das pessoas que estavam na última segunda-feira (24) durante mais um protesto que busca por melhorias em Belém do “Movimento Belém Livre”. Ele também é um dos manifestantes que apareceram em uma matéria da TV Liberal sobre o protesto e tiveram sua imagem associada a vândalos.

Sobre a cobertura dos jornais locais, ele diz que fica bem claro que a última das intenções é informar o povo sobre a verdade. “As matérias que eu vi amenizaram muito a ação da PM e não mostraram o terror que todo mundo passou ali. Colocaram os manifestantes como os verdadeiros culpados pela violência, quando tudo começou por causa de uma quebra de acordo pela parte da PM.”, diz Arthur.

Quando a passeata chegou na Prefeitura foi entregue pelos manifestantes um documento com as reivindicações do Movimento Belém Livre ao assessor do prefeito Zenaldo Coutinho. Segundo o relato do manifestante Sávio Oliveira nas redes sociais, durante o ato dez pessoas foram detidas, sendo que entre elas haviam duas pessoas suspeitas de jogar um coquetel molotov na fachada do prédio da prefeitura e as outras oito foram detidas sem causa aparente.


Os manifestantes então se organizaram para irem ao Fórum Cível cobrar explicações do motivo da prisão dos manifestantes, que não tinham nada a ver com a tentativa de queimar o Palácio Antônio Lemos. A essa altura as duas pessoas suspeitas de arremessar o coquetel molotov já haviam sido transferidas à Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE) e as oito restantes estavam em um micro-ônibus em frente ao Fórum, com objetivo de serem encaminhadas ao DIOE e à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

Segundo o Defensor Público Vladimir Koenig, o ônibus com as pessoas presas foi cercado pelos manifestantes e pela OAB. Ele tentou ajudar a estabelecer um diálogo entre manifestantes e polícia para encontrar uma solução para o impasse. “Chegou-se a um acordo em que as pessoas presas seriam levadas para a DIOE no ônibus, que iria devagar para que os manifestantes pudessem seguir ao seu lado e que os Defensores Públicos iriam dentro do ônibus como garantia de que não haveria agressão contra os presos. Entramos no ônibus e ele saiu em disparada sem aguardar os manifestantes que acompanhariam do lado de fora.”, relata Vladimir.

“Ficamos dentro do ônibus sem poder sair. A PM descendo o cacete, jogando bombas, gás, cachorros e os manifestantes revidando. O acerto era pra ir para a DIOE e foram pra DRCO. Quando percebi pedi para parar o ônibus e desci para voltar para a prefeitura para avisar aos manifestantes para onde estavam levando os presos.”, diz o Defensor Público, que afirma que os manifestantes estavam com medo dos presos sofrerem violência.

Os manifestantes que iam a pé para acompanhar e dar apoio aos presos tiveram dificuldades de concluir o percurso. “Ao tentar contornar o cordão de isolamento formado na 16 de novembro seguimos pela Travessa São Francisco, mas a ROTAM também já havia cercado os arredores da Tamandaré para “conter” o final da manifestação. Com o trânsito bloqueado e a imprensa bem longe, o caminho ficou limpo para ação deles.”, relata o manifestante Sávio Oliveira.

A jornalista Lorenna Montenegro é uma das pessoas que estavam na Travessa São Francisco. Lorenna relata que quando ela e mais quatro amigos tentavam ir embora foram hostilizados pelos PMs. “Fomos encurralados por um monte de policiais da cavalaria numa vila. Ali o horror se instalou, sobrou pancada de cacetete e ameaças. Eles, com suas identidades covardemente cobertas pelo velcro negro, apavoraram os moradores, nos xingaram de maconheiros e vândalos. Fui chamada de agitadora caceteira, puta, após dizer que era jornalista e estava sendo impedida de seguir meu trajeto, sem nenhuma alegação condizente, tentativa de revista ou qualquer outra atitude que não fosse a violência e a coerção.”, conta Lorena.

Carta entregue pelos manifestantes:

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